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O preço do Nobel de Literatura de Dylan

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Robert Allen Zimmerman (1941-), mais conhecido como Bob Dylan, foi laureado com o Nobel de Literatura em 2016. O compositor e cantor estadunidense é um dos maiores gênios artísticos dos nossos tempos. Sua obra musical caminha entre a música e a composição poética, possuindo impacto cultural e relevância em outras linguagens artísticas desde a década de 1960. 

O prêmio Nobel de Literatura foi criado em 1901, sendo concedido anualmente pela Academia Sueca para os escritores que se destacam no campo literário. O Nobel não deveria servir para se colocar em discussão a qualidade artística de Dylan, mas, sim, as diretrizes do prêmio. O filósofo francês Jean-Paul Sartre recusou a premiação, poucos outros bons escritores a receberam como Thomas Mann, Luigi Pirandello, Ernest Hemingway, Albert Camus, Pablo Neruda, Gabriel García Márquez e José Saramago. 

Prêmios literários são arbitrários, destinados a laurear escritores que possuem qualidades segundo as diretrizes de determinados grupos. Com as “musas sob assédio” por parte da indústria cultural, há a tentativa de conciliar mercado editorial e qualidade literária, sendo, no atual contexto, o primeiro predominante sobre o segundo. Bob Dylan está inserido no contexto da cultura de massas, da “arte para o consumo”, mas ele vai além, possui qualidades singulares como Artista que consegue dar relevância social para a sua arte possuindo impacto dentro da sua linguagem, a música. 

Segundo a tradição literária ocidental, a poesia e a música nascem juntas, como uma só linguagem. O termo “gênero lírico” remete à lira, um instrumento musical usado pelos aedos na Grécia antiga. No entanto, os gêneros literários não são estáticos e perenes, ou seja, eles nascem, vivem, morrem e evoluem. Uma das características da arte contemporânea e da modernidade artística é a fusão de gêneros e a interseção de linguagens artísticas. 

A discussão se a composição musical é literatura ou não, não deve caminhar para posicionamentos estáticos de gosto e desejos de imutabilidade dos gêneros literários ou mesmo no sentido restrito do que é literatura, como ocorre com parte de setores da teoria literária e com o senso comum. Pelo contrário, deve caminhar para um entendimento dos fatores que regem a criação artística, possuindo a percepção do dinamismo e da interseção das múltiplas linguagens no contexto atual. 

O bardo Dylan, ou aedo para os gregos, retorna aos primórdios da literatura com a sua Arte, sem distinção entre poesia e música, na própria gênese do gênero lírico. Os tempos estão mudando, como sempre e com frequência, Dylan percebe a mudança, nós a ouvimos, quem tiver ouvidos, ouça-a. Zimmerman está entre os bons, é um dos melhores transitando entre linguagens, é um dos maiores bardos, aedos, compositores e tudo o mais de todos os tempos. O nobel é apenas um prêmio de 8 milhões de coroas suecas. Contrariando John Lennon: I believe in Zimmerman.

Videoclipes araraquarenses

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A minha história com videoclipes em Araraquara remonta a junho de 2015 quando participei da produção e captação de imagens dos três lançados pelo Liniker e os Caramelows (‘Zero’, ‘Louise du Brésil’ e ‘Caeu’). A proposta era gravar três músicas ao vivo e, ao mesmo tempo, captar imagens para serem lançadas em vídeos no youtube. Tudo ocorreu na sala da casa do guitarrista da banda a partir da produção colaborativa feita por vários artistas da cidade, dentre eles músicos, fotógrafos e cineastas. 

Todo o processo de gravação das três músicas e captação das imagens do Liniker e os Caramelows durou três dias, dois foram destinados à produção, ensaios e ajustes técnicos e o último para as gravações. Havia uma áurea, uma certeza, entre os envolvidos de que o resultado final seria de extrema qualidade. O que se concretizou a partir de outubro de 2015, quando os vídeos foram disponibilizados no youtube obtendo milhares de visualizações.  

Ao chegar de viagem de 25 dias pela Bolívia e Peru, em janeiro deste ano, participei de um dia de produção do videoclipe da música ‘A sina de um Castilho’ da Banda Castilhos, o meu quarto trabalho na área. O convite partiu da atriz e produtora Carol Gierwiatowski para que ajudasse na produção no dia da gravação comandada pelo talentoso fotógrafo araraquarense Deivide Leme, que em breve se tornará um dos maiores nomes da área no Brasil. 

Vendo e ouvindo agora o excelente resultado final do videoclipe ‘A sina de um Castilho’, volto para o ano de 2007, quando eu e o guitarrista da banda Castilhos, Dario Primo, conversávamos com frequência sobre música na UNESP. Entenda-se que as conversas giravam em torno do White Stripes e Radiohead, que havia acabado de lançar o disco ‘In Rainbows’. 

Hoje, ouço a música, vejo o videoclipe dos Castilhos e reforço a crença no trabalho coletivo. Depois deste trabalho, tive a sorte, o prazer e o aprendizado de continuar dialogando/trabalhando com a Simone Dib, fotógrafa que foi assistente de direção, a Carol Gierwiatowski e o Deivide Leme. O videoclipe da música "A sina de um Castilho" foi lançado às 08h do dia 20 de maio de 2016, em termos audiovisuais, um dos melhores já realizados na cidade.

Videoclipe "Zero"


Videoclipe "A sina de um Castilho"

Rock de Dois

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A formação padrão de uma banda de Rock, que tem as suas origens na formação de bandas de Jazz, é de quatro membros: um baterista, um contra-baixista, um guitarrista e um vocalista. O primeiro a quebrar essa formação foi Jimi Hendrix, com a sua banda chamada Jimi Hendrix Experience (1966 1969), com o seu Power Trio formado pelo baixista Noel Redding e pelo baterista Mitch Mitchell, além do próprio Hendrix na guitarra e nos vocais; depois outro Power Trio é formado pela banda Cream (1966 - 169), que contou com Eric Clapton (vocal e guitarra), Jack Bruce (baixista) e o excelente baterista Ginger Baker. Depois, nos últimos 15 anos, cresceu o número de bandas formadas por somente dois membros, como é o caso de The White Stripes, She & Him e The Ting Tings.

The White Stripes foi formada na Detroit Rock City em 1997 por Jack White (compositor, vocalista, guitarrista, pianista) e Meg White (baterista, percussionista e vocalista). A banda durou até fevereiro de 2011, quando fora anunciado o fim da parceria. Ao todo, lançaram oito discos: The White Stripes (1997), De Stijl (2000), White Blood Cells (2001), Elephant (2003), Get Behind Me Satan (2005), Walking whit a Ghost (2005) e Icky Thump (2007). A banda se apóia na extrema genialidade de Jack, talvez o músico da linha Pop Serial mais criativo dos últimos vinte anos, com um estilo fundido pelo Blues, Punk, Folk Rock, Indie e Underground, com destaque para as músicas Let’s a build a home (2000), You’re Pretty good looking (For a girl) (2000), Seven Nation Army (2003), The Hardest Button to Button (2003), Blue Orchid (2005), Little Cream Soda (2007).

A dupla She & Him, como o próprio nome sugere, é formada por Zooey Deschanel (vocal, piano e banjo), que ainda é atriz; e M. Ward (guitarra). A parceria foi formada em Oregon (EUA) em 2006, lançaram somente dois discos: o primeiro em 2008, intitulado Volume One; e o segundo em 2010, com o nome de Volume Two. O estilo da dupla caminha entre o Folk e o Indie, caracterizando-se por um som bem soft. O álbum de estréia possui uma excelente qualidade, com releituras de clássicos destacados pela voz de Zooey, tais como You Really Gotta Hold On Me, da banda The Miracles da gravadora Motow, originalmente lançado em 1962; e ainda I Should Have Know Better, do álbum A Hard Day’s Night, trilha sonora do filme homônimo dos Beatles, lançado em 1964. Mas o destaque fica por conta das músicas Sentimental Heart e Change is Hard; o canto da sereia de Zooey.

The Ting Tings é a banda mais recente das três, foi formada em Londres no ano de 2004 e conta com a dupla Katie White (vocal e guitarra) e Jules de Martino (bateria, baixo, vocal, piano). Lançou apenas um disco We Started Nothing, lançado em 2008 e vários singles de sucesso com um estilo Indie, Punk, New Wave dançante e Tecnopop. Os singles That's Not My Name e Shut Up and Let Me Go, juntamente com We Walk tornaram-se grandes sucessos de crítica e público. Em 2009, a dupla esteve no Brasil no Planeta Terra Festival, no entanto, para o azar deles, tocaram no palco Indie no mesmo horário que a lenda Iggy Pop se apresentava no palco principal.

A formação das bandas de Rock sofreu modificações ao longo dos últimos cinqüenta anos, passando pela formação padrão clássica com quatro membros; pelos Power Trios (Jimi Hendrix Experience e Cream); indo pelos “Rock de Dois” (The White Stripes, She & Him, The Ting Tings) dos últimos quinze anos e, até mesmo, ao solo, como ocorreu com o disco pós-Beatles de estréia de Paul McCartney, no qual ele tocou todos os instrumentos. A mudança da formação das bandas está diretamente relacionada à evolução dos métodos de gravação de estúdio, que a indústria fonográfica desenvolveu: dos estúdios de quatro canais, até os estúdios com canais de múltiplos de dois ad infinitum, com tecnologia digital, o que possibilita a gravação de múltiplos instrumentos, ou partes deles, em diversos canais, com uma posterior junção na canção, possibilitando, desta maneira, que um número reduzido de músicos grave um número grande de instrumentos necessários para a execução da melodia e do vocal da canção.

PS: Há hiperlinks nas canções citados no texto, que remetem à vídeos no youtube, basta clicar sobre o nome das músicas.

Cartazes de Shows que Deveria Ter Ido

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Compraria o ingresso por 5 dólares e 65 centavos, cheguei no local às 18h30-, o show começa às 19h30. Não ouviria a música, ela se dispersou na imensidão espacial-, em meios aos grit
os agudos. O dia é 15 de agosto de 1965, a data marca o primeiro grande show de rock ao ar livre-, os Beatles tocaram no tradicional estádio de Baiseball em Nova Iorque para quase 55 mil pessoas.

Assistir à perfomance dos Beatles era um ato ritualístico, viu-se somenete o Quarteto gesticular-, é impossível ouvir a música em meio aos gritos. John dizia-se assustado com tamanha multidão a sua frente, o que fica nítido-, ele também adere ao transe. Executa "I'M DOWN" de forma frenética, transloucada com caretas imitativas-, cotovelos e berros.

Quem tivesse olhos, veria-, os que ouvidos tivessem, nada ouviram-, voltaria do Shea Stadium para casa, colocaria o disco de 33 rotações na vitrola-, o som mono satisfaz. Foi uma noite de um dia agradável, me senti bem-, não precisei ser socorrido. Mas destesto o som estereo, George está certo-, viva o parricídio musical!

O Blues da Encruzilhada

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O Diabo na rua toca guitarra-, o Homem na Encruzilhada dedilha a escala. A tônica cai na oitava, a nota triste-, evoca cinco vezes. O Diabo na rua no meio da Encruzilhada.
Robert Johnson músico meíocre, foi à Encruzilhada-, desafiou, escalou. Fausto pactuou com Mefistófeles, viu a Walpurgisnacht: dançou, cantou-, aprendeu. Riobaldo Tatarana fechou o corpo, na Veredas mortas-, tornou-se Urutu Branco.

As pessoas falam do que ouvem, o Diabo evocado na encruzilhada-, houve o dedilhar. Afinado está, FAz-se trítono-, SE ao mesmo tempo estiver nos quintos. Está na encruzilhada, sabe tocar-, sobe o Rio. A corrente, o apito do trem-, café com pão. Libertinagem, estrela da vida inteira-, Teresa. A balada da encruzilhada, o magro senhor Jão-, um dia da vida.

Johnson com a faca à mão evoca-O, sabe a prece-, possui a nota. O Blues da encruzilhada, ele e o Diabo-, na rua no meio do redemoinho. As pessoas falam da encruzilhada. Meu amigo Meioquilo, viu ele parado-, dedilhando. Em uma tõnica de cinco, uma oitava-, blue note. Está na encruzilhada, as pessoas falam da música-, que aprendi:

Encruzilhada
O homem caído, o sol no dorso.
Deitado com a face ao chão,
Regurgita a terra.
Pensa, passou além da dor.

Vira-se, vê o céu.
Seu joelho sangra, o corpo treme.
A luz cega-lhe-, está radiante.
Por instantes, aquece-o.

Uma sombra projeta-se na face.
O corpo ainda treme,
O redemoinho sibila.

A esfera circunspecta para.
Ele gira, abre-se a Rosa.
A Estrela da Manhã brilha etérea.

Encontros Inusitados-, Contatos Musicais Imediatos.

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Não basta estar na hora certa, no lugar certo-, haveria de estar no famoso Estúdio de Gravação SUN RECORDS em Memphis, Tennessee, nos Estados Unidos, no dia 04 de
dezembro de 1956-, para encontrar Elvis Presley, Carl Perkins, Jerry Lee Lewis e Johnny Cash-, todos juntos com o lendário produtor Sam Phillips. Alguns cantaram mais que os outros: solo, em duo, em trio-, outro somente observou.

Não bateria à porta do estúdio, às 15h30-, estariam gravando Carl Perkins e Jerry Lee Lewis. Poucos minutos depois, Elvis entraria para cumprimentar o amigo produtor-, Johnny Cash se encontraria dentro, com a esposa impaciente-, querendo fazer compras. Os quatro grandes nomes do Rock'n'roll, Hillbilly, Rockabilly-, Cash sai sem cantar, mas permanesse alguns imediatos minutos.

Sam, sabiamente, documenta a JAM SESSION-, algumas fotos são tiradas. Se a June Carter aceitasse o primeiro pedido de casamento, o Homem de Preto cantaria na sessão-, não compraria um armário de cozinha. O maior encontro inusitado, com contatos musicais jamais igualados-, uma reunião histórica. Sem um DeLorean, aumento o volume-, The Million Dollar Quartet. Um para cada, o disco tem 15 faixas. Não bata na porta. Ouça do lado de fora. Ah!!!!! June, sim dissesse.


Cartazes de shows, que deveria ter ido...

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por Breno Rodrigues de Paula
A banda estadunidense THE VELVET UNDERGROUND é, ao lado dos Beatles e de Bob Dylan, uma das principais influências da Música Serial Pop da segunda metade do século XX. A banda foi formada em 1965 por Lou Reed (vocal e guitarra), John Cale (guitarra e piano), Sterling Morrison (contra-baixo e guitarra) e Maureen Tucker (bateria), e logo foi "apadrinhada" pelo Artista-vanguardista Andy Warhol, que incorporou a atriz alemã Nico (Christa Päffgen) aos vocais da banda em 1966.
Neste show em 1966, na cidade de Chicago, marca o início das apresentações com Nico, já incorporada a banda. A atriz havia participado do filme La Dolce Vita (Itália, 1960) do cineasta italiano Federico Fellini, e figurava como uma artista de destaque no meio underground novaiorquino. No repertório foram executas músicas que estariam no famoso álbum "THE VELVET UNDERGROUND AND NICO", tais como "HEROIN", uma composição junk de Lou Reed; "FEMME FATALLE", com um vocal sedutor de Nico; a vanguardista "VENUS IN FURS"; como também "ALL TOMORROW'S PARTIES"; "RUN RUN RUN ".
Nico seria expulsa da banda em 1968, logo após Lou Reed ter demitido Warhol. Ela gravaria apenas um álbum THE VELVET UNDERGROUND AND NICO. Em seguida, o VU lançaria ainda mais quatro albuns WHITE LIGHT/WHITE HEAT (1968); THE VELVET UNDERGROUND (1969); LOADED (1970) e SQUEEZE (1973). O VU é uma referência e uma influência direta para vários gêneros que surgiram nos anos seguintes, como o Punk, o New Wave, o Gótico, o Indie, o Underground, dentre outros. Uma banda que contribuiu para o estatus de arte do rock.