Cine Campus: Películas Argentinas

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Cine Campus: Películas Argentinas


O Filho da Noiva
Título Original: El Hijo de la Novia
Gênero: Drama
Direção: Juan José Campanella
Roteiro: Juan José Campanella e Fernando Castets
Tempo de Duração: 124 minutos
Ano de Lançamento (Argentina): 2001
Site Oficial: www.elhijodelanovia.com / www.sonyclassics.com/sonofthebride
Estúdio: Tornasol Films S.A. / JEMPSA / Patagonik Film Group / Pol-Ka Producciones
Música: Ángel Illarramendi
Fotografia: Daniel Shulman
Direção de Arte: Mercedes Alfonsín
Figurino: Cecilia Monti
Edição: Camilo Antolini

Elenco
Ricardo Darín (Rafael Belvedere)
Héctor Alterio (Nino Belvedere)
Norma Aleandro (Norma Belvedere)
Eduardo Blanco (Juan Carlos)
Natalia Verbeke (Naty)
Gimena Nóbile (Vicky)
David Massajnik (Nacho)
Claudia Fontán (Sandra)
Atilio Pozzobon (Francesco)
Salo Pasik (Daniel)
Humberto Serrano (Padre Mario)
Fabián Arenillas (Sciacalli)
Mónica Cabrera (Carmen)

O Filho da Noiva
por Alexandre Koball

O cinema argentino está passando por uma fase semelhante ao brasileiro: uma espécie de ressurgimento. O Filho da Noiva foi lançado no país durante o auge da crise econômica por lá, em 2001, e o filme reflete muito bem as características dessa crise em sua história. Confundindo-se entre comédia dramática ou drama cômico, ele possui as doses certas de cada gênero, embora no final das contas eu tenha chorado (não necessariamente estou falando literalmente) mais do que rido ao assistí-lo. Não há como fugir do clima negativista daquela época (hoje já um pouco aliviado, embora o país ainda esteja economicamente fraco), e isso fica bem evidente nos seus personagens, lotados de problemas cotidianos.

Esses tais problemas, comuns também a nós, brasileiros, como falta de dinheiro, um pessimismo para com o futuro que está já fundo nas personalidades das pessoas, aliado a problemas mais pessoais, como divórcio, saúde fraca, enfim, tudo isso dá ao filme traços novelísticos bem aparentes, tanto que em certos momentos me peguei pensando em uma das inúmeras telenovelas baratas, que assolam nossa televisão todos os dias. Só que O Filho da Noiva é um filme tão bem interpretado, com um roteiro tão caprichado (mesmo que trate de assuntos triviais), que tive a certeza de que assisti, talvez, ao melhor capítulo de uma novela da minha vida.

Todos os atores vivem, e demonstram muito bem na tela, as emoções que o roteiro proporciona. E, parafraseando aquele famoso cantor (correndo o risco de parecer tosco a você, leitor), “são tantas emoções”... A estrutura e os elementos do roteiro foram criados para gerar lágrimas no espectador, sempre com o risco de se tornarem demasiados clichês e forçados demais. Mas a habilidade do diretor – para mim o até então desconhecido Campanella – consegue fazer com que esse limite entre o emocionante e o forçadamente emocionante nunca seja quebrado. O filme nunca me soou piegas, e por isso é fácil acompanhar com prazer o desenrolar dos acontecimentos.

Talvez uma sinopse seja necessária (por mim eu escreveria sempre sem citar a sinopse dos filmes, mas se você não tiver assistido a ele, é bom ficar situado – sempre evitando estragar surpresas, é claro): Rafael é um quarentão que separou-se da esposa há três anos, e agora tem uma nova namorada. Também possui uma filha, a quem vai ver sempre que possível, com toda liberdade. Ele é dono de um restaurante, propriedade de sua família há muitos anos, que está passando por uma crise, devido à situação econômica na Argentina. Seu pai, um sujeito engraçado, de bem com a vida, tem um único arrependimento: não ter se permitido casar-se na igreja, por questão de crença (ou falta dela). E ele decide que já está na hora de fazer isso.

O problema é que sua esposa tem Mal de Alzheimer, e mal pode reconhecer sua família. Junto com seu filho, eles devem apressar-se para realizar a cerimônia antes que a doença avance mais ainda. Por fora, ainda há um velho amigo de infância de Rafael, que reencontra-o depois de muito tempo, e começa a demonstrar interesse em sua namorada... Como você deve ter percebido, o filme possui várias pequenas histórias (ainda poderia citar pelo menos mais três), distribuídas entre seus vários personagens. A mesma estrutura de qualquer novela, só que, por ser um filme com apenas pouco mais de duas horas, não há a enrolação e chatices características.

Agora, deixe-me corrigir uma injustiça: o filme não é somente um drama, como posso ter dado a entender dois parágrafos acima. O Filho da Noiva pode ser classificado como uma divertida comédia romântica também. Bem sutil, é verdade, até porque no meio de tantos dramas familiares, abusar do riso poderia ser uma indelicadeza para com o espectador. Mas o diretor mais uma vez prova sua habilidade, ao criar momentos engraçados com situações que se encaixam muito bem no roteiro (Campanella é um dos co-autores do filme), principalmente utilizando-se do seu “clone” de Roberto Begnini, o ator Eduardo Blanco, que possui os mesmos trejeitos e tem aparência física muito parecida com o ator italiano. Ele é o principal responsável pelos momentos engraçados de O Filho da Noiva, mesmo que para isso tenha que chatear os outros personagens durante o filme.

O Filho da Noiva foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2002, não somente por seu roteiro agradável, mas também pelas incríveis interpretações de todo o elenco. Não há nenhum ator que esteja mal no filme todo. O elenco demonstra muita determinação e sinceridade, talvez ajudado pela triste realidade da época. Enfim, este é um excelente trabalho artístico, em todos os sentidos, e por isso falei aquilo que falei logo no início. O Filho da Noiva é um dos responsáveis pelo ressurgimento do cinema argentino também (assim como Cidade de Deus foi para o cinema brasileiro), ao lado de outras obras hoje respeitadas no mundo todo, como Nove Rainhas (que infelizmente ainda não tive a oportunidade de assistir). De maneira geral, todo o cinema latino-americano está tendo uma guinada impressionante nesses últimos anos, principalmente com os seus três maiores países: México, Brasil e Argentina.

O Filho da Noiva só não foi uma surpresa para mim porque eu já esperava que fosse um filme de bom gosto e muito bem realizado, principalmente em roteiro e interpretações. De fato, isso acabou acontecendo. Mesmo que não haja nada de extraordinário no filme todo em termos de roteiro, já que sua história simples dificilmente proporcionaria algo desse tamanho, mesmo com o melhor diretor do mundo, o filme é de uma sutileza magnífica. Possui ritmo correto, não ficando carregado demais nem chato demais em momento algum. Espero que mais filmes com essa qualidade possam vir dos nossos vizinhos, e o quanto antes, de preferência.

28/11/2003
http://www.cineplayers.com/critica.php?id=144




Buenos Aires 100 Km
Ficha Técnica
Título Original: Buenos Aires 100 km
Gênero: Drama
Direção: Pablo José Meza
Tempo de Duração: 93 minutos
Ano de Lançamento (Argentina): 2004
Site Oficial: www.buenosaires100km.com.ar
Roteiro: Pablo José Meza
Produção: Pablo José Meza, Natacha Rébora e Pepe Salvia
Música: Nicolás Olivera
Fotografia: Carla Stella
Direção de Arte: Eva Duarte e Maria Eva Duarte
Figurino: Roberta Pesci
Edição: Andrés Tambornino

Elenco
Juan Ignacio Perez Roca (Esteban)
Emiliano Fernández (Alejo)
Alan Ardel (Guido)
Hernan Wainstein (Matias)
Juan Pablo Bazzini (Damian)
Sandra Ballesteros (Raquel)
Rolly Serrano (Oscar)
Daniel Valenzuela (Horacio)
Adriana Aizemberg (D. Anita)
Noemí Frenkel (Nora)

Buenos Aires 100 Km
por Demetrius Caesar

Num pequeno povoado a 100 km de Buenos Aires, cinco adolescentes tentam vencer uma partida de futebol, mas levam surras seguidas. Mais difícil do que superar as dificuldades do jogo de futebol, no entanto, é enfrentar as agruras de suas vidas: um deles fica sabendo que a mãe trai freqüentemente o pai e está na boca do povo; o outro é obrigado a trabalhar pesado como carregador de verduras; o terceiro descobre que é adotado; um vê a namorada ir embora para a capital argentina, etc.

Tudo isso é reforçado pelo fato de os garotos, aos 13 anos, estarem entrando na adolescência. Há o despertar sexual e começa o interesse pelas mulheres, sufocado pela pobreza, pela crise econômica, falta de perspectiva e pela mentalidade muitas vezes tamanha e provinciana da maioria dos habitantes da cidade.

O filme parece se passar numa década perdida no passado, pois o atraso econômico estacionou a cidade no tempo. Uma aura nostálgica desconcertante paira sobre o filme, que segue num ritmo lento e melancólico na sua maior parte (o mesmo das tardes de verão sem nada para fazer dos meninos). O diretor tem um olhar agudo da realidade, mas tem imenso carinho pelos personagens e suas agruras.

Buenos Aires 100 Km atinge seu ápice ao dar vazão às histórias que um dos meninos escrevia. Falavam de um assassino de longos cabelos que matava suas vítimas a machadadas, geralmente passadas num cemitério. Os demais amigos do círculo pedem mais sexo e sangue. O filme, torna-se, então, um terror B de cenários infames e imaginação delirante, com feitio pobre e intenções baixas. Como se trata da mente de um menino de 13 anos, tudo soa irônico e engraçado, com estranhas conexões com sua realidade.

Não é um grande filme, nunca pretendeu ser; fala da crise econômica argentina da mesma maneira agridoce que muitos filmes contemporâneos. Tem o seu charme. Faltou ambição ao diretor para ensejar algo mais portentoso. Ele preferiu focar o ínfimo, que é onde está sua força e também seu limite. Trata-se de um assunto universal, mas a maneira de abordar foi um tanto pequena demais. A impressão que se tem é de que o diretor estava emocionalmente ligado demais ao assunto, de forma que sua visão saiu sem a isenção e o distanciamento necessários para que pequenas histórias como essas alcancem o formato clássico que lhes dá a moldura definitiva.

04/06/2006
http://www.cineplayers.com/critica.php?id=731



Cine Campus: Across The Universe

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Cine Campus: Cine PluS!

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Sobre o grupo PluS!Pluralidade Sexual

A idéia
Eis que algo que parecia irrealizável no campus da UNESP de Araraquara toma corpo e torna-se algo sólido nesse ano de 2009. A idéia original foi de Léo, Fafá e Mariana em 2007, mas devido a dependências acadêmicas o grupo acabou não se concretizando. Queríamos fazer um grupo de discussão, de encontro, de atitude que nos levasse a evolução enquanto seres humanos dentro dos nossos próprios limites, que esperamos que se dissolvam com o passar do tempo. Queremos falar de nós, de nossos amigos, das diferenças, da violência, da aceitação, das leis, da política, da conveniência, mas acima de tudo, queremos ampliar o respeito que nos é devido enquanto seres humanos dotados de livre-arbítrio. Todo e qualquer ser humano é bem vindo a juntar-se a nós. Não precisa ser gay, não precisa ser hetero, não precisa ACEITAR. Só é preciso respeito. É isso que pregamos, é isso que queremos.

O PluS!
O grupo PluS! (Pluralidade Sexual) conta com o apoio do Cine Campus (Breno Rodrigues), com a chapa Murah do CAFF e com a chapa Outras palavras do CACEL para que seja concretizado. Nossas reuniões serão realizadas quinzenalmente em diferentes dias da semana para que haja maior adesão dos membros. As reuniões serão livres pra qualquer estudante (ou não) e os temas serão escolhidos pelo próprio PLUS!. O horário e o local das reuniões serão divulgados com antecedência aqui no nosso blog pois não teremos uma sala fixa, infelizmente. A idéia inicial é que cada encontro perdure por 2 horas. As reuniões serão relatadas no nosso blog e também na comunidade do Orkut para que tenhamos um maior controle sobre as discussões. Poderão ser indicados textos, filmes, livros, qualquer coisa que tenha relação com a nossa discussão.

Contato
http://www.pluralidadesexual.blogspot.com/
Email do grupo: estudoplus@gmail.com
MAJ: mariana.maj@gmail.com
Léo: leon_ardoperez@hotmail.com
Mariana: mariana_haze@hotmail.com
Fafá: carol.andreossi@gmail.com



Cine Campus: Stanley Kubrick

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Acossado: o filme pós-moderno de Jean-Luc Godard

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Em 1973, os cineastas mais representativos da Nouvelle Vague francesa, Jean-
Luc Godard e François Truffaut romperam relações de amizade e profissionais. Godard havia escrito uma carta criticando a apatia do filme de Truffaut “A Noite Americana” (La nuit americaine, França, 1973), um filme que trata do cotidiano do set de filmagens de forma romanesca e, segundo Godard, alienante. Era o fim de uma amizade surgida nas cadeiras da cinemateca francesa, no final da década de 40; consolidada nas fileiras da revista de critica cinematográfica Cahiers du cinéma, na década de 50; e elevada ao ápice na parceria de realização do revolucionário filme “Acossado” (À bout de souffle, França, 1960). Um filme inovador, cheio de diálogos com toda uma linha evolutiva da história do cinema, com intertextualidades e, acima de tudo, com a desconstrução do discurso cinematográfico.

Para efeito de marco cronológico, a Nouvelle Vague surge em 1959 no Festival de Cannes com a premiação da Palma de Ouro para o filme “Os Incompreendidos”, de François Truffaut. Mas é em 1960 que ela se consolida e se configura com uma estética revolucionária com a realização de “Acossado”, de Jean-Luc Godard. A própria trajetória de Godard e Truffaut resume o que foi a estética cinematográfica da Nouvelle Vague francesa. A “nova onda” surgiu a partir de jovens cineastas franceses que tinham uma formação cinéfila e crítica adquiridas na cinemateca francesa e nas páginas da Cahiers du Cinéma. Eles passaram de uma atividade crítica para uma práxis cinematográfica a partir de uma nova forma de produzir filmes e de conceber a linguagem cinematográfica.

Muito tem-se discutido se a Nouvelle Vague é uma estética cinematográfica ou não, em stricto senso. Uma estética surge no momento em que ela ganha significação social a partir de um conjunto de normas e conceitos sobre a relação da Arte cinematográfica com a sociedade em um contexto histórico definido. Neste caso a Nouvelle Vague seria sim uma estética cinematográfica no sentido latto senso. Pois ela surge em um contexto histórico definido, tendo um conjunto de adeptos com a mesma formação cinéfila e crítica. A discussão do ser ou não ser surge porquê há uma desconsonância de estilo, não de qualidade, entre os cineastas da Nouvelle Vague, de modo que os filmes de Truffaut em nada se parecem com os de Godard, que destoam dos de Alain Resnais e de Eric Rohmer. Os únicos pontos em comum entre estes cineastas são a formação cinéfila e crítica, além dos elementos de negação do modelo de produção de filmes vigente até o final da década de 50, como também uma nova postura frente à Arte cinematográfica, feita de forma autoral.

O filme de Godard “Acossado” foi realizado em parceria com Truffaut, que escreveu o roteiro. A história do filme é simples: um homem, chamado Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo), rouba um carro em Marseille. Na fuga em direção à Paris, Michel mata um policial. Chegando na cidade luz, tenta encontrar um amigo que lhe deve algum dinheiro. Neste meio tempo, tenta convencer a jovem estudante estadunidense Patrícia (Jean Seberg) a irem juntos para a Itália. Em meio às divagações em um quarto, a jovem entrega Michel a polícia, que o mata em uma rua de Paris. O interessante que “Acossado” exige uma postura diferente do espectador, visto que a história é simples, no entanto, o modo como é estruturada a narrativa é extremamente complexa: não há uma progressão dramática; a narrativa é fragmentária, com diálogos, aparentemente, desconexos-, mas cheios de elementos significantes.

Godard realiza um filme no qual os elementos significantes estão na forma, ou seja estão no modo de organização do discurso e na utilização dos elementos da linguagem cinematográfica. Há uma mudança, portanto, no eixo de significação: da história para o do discurso cinematográfico. Ele desconstrói o discurso cinematográfico ao quebrar convenções tais como: filmar contra a luz; utilizar uma montagem a partir de jump-cuts (corte abruto), de modo que há a quebra da linearidade da ação devido à montagem não naturalista; filma os diálogos dos atores estando de costas para a câmera; Godard opta ainda por uma constante movimentação de câmera, o que dá mais dinamismo às ações e mais efeito às imagens.

Outro aspecto interessante do filme é o seu diálogo com toda uma tradição cinematográfica feita através de forma direta ou indireta, ou até mesmo de paródia. Lembremos que Godard é, antes de tudo, um cinéfilo-, portanto, um grande conhecedor da história do cinema. Ele faz referências direta a diretores e a filmes, trazendo para “Acossado” elementos destes filmes, o que enriquece a obra e a torna uma obra típica da pós-modernidade, que, ao dialogar com outras obras, traz para o seu plano sincrônico elementos diacrônicos-, enriquecendo-a. Em um aspecto geral, pode-se dizer que “Acossado” é ainda uma paródia de filmes “policiais” da década de 40, com elementos dos filmes B ou também chamados de filmes noir.

Godard não se limita à desconstrução do discurso cinematográfico e ao diálogo com toda uma tradição, ele vai além-, insere elementos intertextuais ao longo do filme, principalmente com a literatura e a pintura. A narrativa é repleta de citações de obras literárias. Em uma cena, Patrícia pergunta o que Michel prefere: “A dor ou o nada?”, o rapaz diz escolher o nada. Godard faz nesta cena referência ao escritor estudunidense Willian Faukner. Um elemento marcante é a intertextualidade com a pintura, com o pintor Pierre-Auguste Renoir-, pai do diretor Jean Renoir, amado pelos cineastas da nouvelle vague. Uma cena curiosa ocorre quando Patrícia para ao lado de um quadro de Renoir e pergunta à Michel quem ele acha ser a mais bonita, ela ou a moça do quadro. Godard coloca lado-a-lado as duas imagens amplamente estudadas por André Bazin: a imagem feita pela pintura e a imagem cinematográfica.

Godard é mais singular de todos os cineastas da Nouvelle Vague. Enquanto Truffaut buscava um filme coeso, que possuísse elementos clássicos, mas, ao mesmo tempo, também modernos, inovadores-, Godard almejava uma experimentação constante da linguagem cinematográfica. Ele possuía extremo conhecimento da linha evolutiva do cinema e excepcional domínio dos elementos do discurso cinematográfico. Godard transformou o cinema em um meio de expressão artística, na qual a linguagem cinematográfica estaria consoante com a sociedade contemporânea e com o homem da segunda metade do século XX. A forma, para ele, defini uma visão de mundo, de modo que ela está de acordo com as ações das personagens. Godard exige um papel ativo do espectador ao desconstruir o discurso cinematográfico e ao utilizar-se da intertextualidade com a literatura e a pintura. Ao fazer isso, o cineasta cria uma obra que poderia ser classificada como pós-moderna, já que todos estes elementos e recursos enriquecem o filme, tornando-o uma obra mais complexa e, ao mesmo tempo, atemporal-, universal.


Ficha Técnica
Título Original: À Bout de Souffle
Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Jean-Luc Godard, baseado em estória de François Truffaut
Gênero: Policial
Tempo de Duração: 86 minutos
Ano de Lançamento (França): 1959
Estúdio: Impéria / Société Nouvelle de Cinématographie / Les Films Georges de Beauregard
Distribuição: Impéria
Produção: Georges de Beauregard
Música: Martial Solal
Fotografia: Raoul Coutard
Desenho de Produção: Claude Chabrol
Edição: Cécile Decugis e Lila Herman

Elenco
Jean-Paul Belmondo (Michael Poiccard)
Jean Seberg (Patricia Franchisi)
Daniel Boulanger (Inspetor de polícia)
Jean-Pierre Melville (Parvulesco)
Henri-Jacques Huet (Antonio Berrutti)
Van Doude (Jornalista)
Claude Mansard (Claudius Mansard)
Jean-Luc Godard (Informante)
Richard Balducci (Tolmatchoff)
Roger Hanin (Cal Zombach)


Cine Campus: Blade Runner

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Os Incompreendidos: o filme marco da Nouevelle Vague de François Truffaut.

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François Truffaut é, ao lado de Jean-Luc Godard, o cineasta mais expressivo da Nouvelle Vague Francesa. O seu filme “Os Incompreendidos” (Les 400 Coups, França, 1959) é considerado o marco da estética cinematográfica francesa mais importante da segunda metade do século XX. O filme foi lançado no Festival de Cannes de 1959, tendo recebido o prêmio máximo: a Palma de Ouro. Este prêmio, representou o estabelecimento da Nouvelle Vague como uma corrente estética, abrindo as portas para uma grande quantidade de jovens cineastas e também críticos ligados à famosa revista de crítica cinematográfica Cahiers du Cinéma, tais como Jean-Luc Godard, Alain Resnais, Eric Rohmer, Claude Chabrol.

A Nouvelle Vague francesa representou uma nova forma revolucionária de fazer e de conceber o cinema, seja nos aspectos formais quanto conteudísticos. Seus adeptos eram todos cinéfilos e críticos, cineastas com um excelente conhecimento da história do cinema-, bem como dos elementos da sua linguagem. Conheciam o ponto de ostracismo e inércia em que se encontrava o cinema representado pela indústria cinematográfica hollywoodiana e, principalmente, o cinema francês da década de 50-, cheio de clichês e grandes produções. Como cinéfilos, queriam o desenvolvimento da linguagem cinematográfica-, como críticos, vislumbravam uma nova forma de produzir filmes, mais simples e autoral.

Os cineastas da nouvelle vague acreditavam numa linha evolutiva do cinema e tinham total consciência dos elementos da linguagem cinematográfica. Salientavam que seus precursores eram cineastas como Jean Renoir (1894 - 1979), Orson Welles (1915 - 1985), Agnés Varda (1928), Roberto Rossellini (1906 - 1977), Alfred Hitchcook (1899 - 1980), Fritz Lang (1890 - 1976)-, todos cineastas que possuíam e desenvolveram um estilo próprio, que os caracterizavam e os diferenciavam dos demais-, através de uma maneira própria de utilizar o discurso cinematográfico. Estudando estes cineastas, François Truffaut publicou, em 1954, um importante artigo sobre a “política dos autores” (La politique des auteurs). A tese central do artigo afirmava que, mesmo sendo uma Arte coletiva, a obra cinematográfica poderia possuir um autor-, assim como a figura do escritor na obra literária. O autor da obra cinematográfica seria o diretor, pois ele que seleciona e condiciona todos os elementos da linguagem cinematográfica.

No que tange a formação cinéfila e a critica dos cineastas da nouvelle vague, a cinemateca francesa fundada por Henri Langlois, em 1936, e a revista de crítica cinematográfica Cahiers du Cinéma fundada por André Bazin, em 1951, são de extrema importância. Na cinemateca, os jovens cineastas puderam ter contato com os filmes mais representativos e com os cineastas mais importantes da história do cinema. Nela, tiveram e consolidaram toda a sua formação cinéfila. A cinemateca francesa foi ainda um dos pivôs que desencadearam as manifestações de Maio de 68, pois o seu fundador e curador Henri Langlois havia sido demitido-, o que originou manifestações públicas e de rua por parte dos freqüentadores e dos cineastas da nouvelle vague.

A revista Cahiers du cinéma foi o veículo de formação crítica dos cineastas. Ela foi fundada pelo crítico e estudioso André Bazin (1918 - 1958), que é considerado o “pai” da crítica cinematográfica. Ele desenvolveu um conjunto de conceitos e uma linguagem que caracterizava e formatava a então crítica nascente. Bazin é considerado o mentor teórico da nouvelle vague, todos os cineastas mais representativos, de François Truffaut a Jean-Luc Godard, passando por Eric Rohmer foram seus discípulos e colaboradores da revista, com artigos resenhas e estudos críticos. A revista foi o embrião dos conceitos e das idéias colocadas em prática nos filmes. Bazin morreu no primeiro dia de filmagem de “Os Incompreendidos”-, o filme é dedicado a ele.

No filme “Os Incompreendidos”, François Truffaut passou de uma atividade cinéfila e crítica para uma prática de realização cinematográfica. O filme narra a história de Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud), um jovem de treze anos que mora com a mãe e o padrasto num pequeno apartamento em Paris. Acompanhamos o dia-a-dia de Antoine no meio escolar e no meio familiar-, bem como o descompasso de ambos os meios em lidar com os anseios do garoto. Na escola, as relações com os professores e a didática de ensino ultrapassada não possibilitam o desenvolvimento pedagógico de Antoine que “mata aulas” com freqüência. Ele é um garoto inteligente, apreciador de Balzac-, o grande romancista francês. No ambiente familiar, Antoine não se encaixa na “moderna estrutura familiar”-, os pais trabalham o dia inteiro, não possuem tempo para educar o filho. Antoine foge de casa e é mandado para um internato de jovens infratores.

“Os Incompreendidos” é um filme que trata da adolescência, um período de latência e descompasso entre o adolescente e o seu meio, seja escolar quanto familiar. O filme é, em grande parte, autobiográfico. A figura e a história de Antoine se confundem com as da infância de Truffaut. Tanto que Jean-Pierre Léaud é o alterego de François Truffaut, que realizou ainda mais um curta-metragem “Antoine e Colette” (L`amour à vingt ans, França, 1962) e três longas-metragens “Beijos proibidos” (Baisers volés, França, 1968), “Domicílio conjugal” (Domicile conjugal, França, 1970) e “Amor em fuga” (L'amour en fuite, França, 1978), todos tendo Antoine Doinel como protagonista. Nestes filmes, podemos acompanhar o desenvolvimento de Doinel até os trinta anos. Tais filmes mostram a influência de Balzac, já que os personagens aparecem em mais de um romance.

Nos aspectos do conteúdo da narrativa cinematográfica, o filme possui inovações, pois não segue os ditames clássicos estruturados em exposição, intriga, clímax e desenlace. O filme é expositivo, expõe a existência de um jovem (Doinel)-, de forma que não há o protagonista clássico, categorizado em herói ou anti-herói. É deixado de lado a questão hermética de bem e de mal. Há apenas a exposição do comportamento juvenil e a exposição de caso-, expondo um momento da vida humana. O que impera é a ambigüidade das ações das personagens, o que não leva o espectador a criar um juízo de valor sobre tais ações. A dramatização e o efeito dramático está nas ações e, principalmente, no estado das personagens-, o que gera o sobressalto dos aspectos psicológicos delas.

No tangente a forma e a utilização do discurso cinematográfico, os preceitos da Nouvelle Vague são altamente revolucionários. Em “Os Incompreendidos”, alguns aspectos formais como o movimento de câmera e o plano-sequência são a base do discurso cinematográfico. Na teoria clássica e na escola formativa russa havia uma grande importância atribuída ao corte e à combinação atribuída entre os planos através da montagem. Na Nouvelle Vague, por seu turno, a montagem perde o papel de elemento significante central. Não há a fragmentação da ação em diferentes planos, toda ação possui uma duração e se desenvolve de forma seqüencial. Na nouvelle vague há a predileção pelo plano-sequência, o que gera, conseqüentemente, uma necessidade maior de utilização do movimento de câmera-, já que a objetiva deve acompanhar o movimento e as ações das personagens. Outra conseqüência é a ampliação do campo, o que gera o efeito de profundidade de campo, desenvolvido, inicialmente, por Orson Welles no seu filme “Cidadão Kane” (Citizen Kane, EUA, 1942), amplamente utilizado por Alfred Hitchcook e por todos os adeptos da nouvelle vague.

François Truffaut foi um assíduo freqüentador da cinemateca francesa e um dos principais membros da Cahiers du cinéma. Com este percurso e com esta formação, o grande cinéfilo e excelente crítico-, lançou-se à realização de filmes. Seu primeiro longa-metragem “Os Incompreendidos” é considerado o marco de inauguração da nouvelle vague como estética cinematográfica. Com o laureamento em Cannes, o filme abriu caminho para toda uma geração de jovens cineastas oriundos das cadeiras da cinemateca e das fileiras da Cahiers du cinéma.


Ficha Técnica
Título Original: Les Quatre Cents Coups
Direção: François Truffaut
Roteiro: François Truffaut e Marcel Moussy, baseado em estória de François Truffaut
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 99 minutos
Ano de Lançamento (França): 1959
Estúdio: Sédif Productions / Les Films du Carrosse
Distribuição: Cocinor
Produção: François Truffaut
Música: Jean Constantin
Fotografia: Henri Decaë
Direção de Arte: Bernard Evein
Edição: Marie-Josèphe Yoyotte

Elenco
Jean-Pierre Léaud (Antoine Doinel)
Claire Maurier (Gilberte Doinel)
Albert Rémy (Julien Doinel)
Guy Decomble (Petite Feuille)
Georges Flamant (Sr. Bigey)
Patrick Auffay (Rene)
Richard Kanayan (Abbou)
Yvonne Claudie (Madame Bigey)
Robert Beauvais (Diretor da escola)
Jacques Monod (Comissário)
Pierre Repp (Professor de inglês)
Henri Virlojeux (Vigilante noturno)
François Truffaut


Cine Campus: Contra a Parede

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Cine Campus: Robert Zimmerman

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Ano da França no Brasil: Semana do Cinema Francês

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Atividades no Campus
Filmes do curso: "50 Anos da Nouvelle Vague Francesa"
30/03/2009: 1° Filme: Os IncompreendidosFicha Técnica
Título Original: Les Quatre Cents Coups
Direção: François Truffaut
Roteiro: François Truffaut e Marcel Moussy
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 99 minutos
Ano de Lançamento (EUA/França): 1959
Distribuição: Cocinor
Fotografia: Henri Decaë
Direção de Arte: Bernard Evein
Edição: Marie-Josèphe Yoyotte

Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) é o filho negligenciado de Gilberte Doinel (Claire Maurier), que parece ter tempo para tudo menos o bem-estar da criança. Julien Doinel (Albert Rémy) não é o pai biológico, mas cria o menino como se fosse seu filho. Gilberte está tendo um caso e não se surpreende quando, por acaso, Julien fica sabendo que Antoine não está indo à aula, pois ela sabia que na hora do colégio o filho a tinha visto com seu amante. A situação se agrava quando Antoine, para justificar sua ausência no colégio, "mata" a mãe. Quando seus pais aparecem na escola, a verdade é descoberta e Julien o esbofeteia na frente de seus colegas. Após isto ele foge de casa e arruma um lugar para dormir. Paralelamente seus pais culpam um ao outro pelo comportamento dele, após lerem a carta na qual ele se despede. No outro dia Antoine vai à escola normalmente. Lá sua mãe o encontra e se mostra preocupada por ele ter passado a noite em uma gráfica. Ela alegremente o aceita de volta, mas os problemas não acabam. Antoine se desentende com um professor, que o acusa de plagiar Balzac. Como ele odeia a escola, sai de casa de novo e para viver é obrigado a fazer pequenos roubos.

31/03/2009: 2° Filme: Acossado
Ficha Técnica
Título Original: À Bout de Souffle
Direção: Jean-Luc Godard
Roteiro: Jean-Luc Godard e François Truffaut
Gênero: Policial
Tempo de Duração: 86 minutos
Ano de Lançamento (França): 1960
Distribuição: Impéria
Fotografia: Raoul Coutard
Direção de Arte: Claude Chabrol
Edição: Cécile Decugis e Lila Herman

Após roubar um carro em Marselha, Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo) ruma para Paris. No caminho mata um policial, que tentou prendê-lo por excesso de velocidade, e em Paris persuade a relutante Patricia Franchisi (Jean Seberg), uma estudante americana com quem se envolveu, para escondê-lo até receber o dinheiro que lhe devem. Michel promete a Patricia que irão juntos para a Itália, no entanto o crime de Michel está nos jornais e agora não há opção. Ele fica escondido no apartamento de Patricia, onde conversam, namoram, ele fala sobre a morte e ela diz que quer ficar grávida dele. Ele perde a consciência da situação na qual se encontra e anda pela cidade cometendo pequenos delitos, mas quando é visto por um informante começa o final da sua trágica perseguição.

01/04/2009: 3° Filme: Hiroshima, Mon Amour
Ficha Técnica
Título Original: Hiroshima, Mon Amour
Direção: Alain Resnais
Roteiro: Marguerite Duras
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 86 minutos
Ano de Lançamento (França / Japão): 1959

Hiroshima, 1959. Uma atriz francesa casada (Emmanuelle Riva) veio de Paris para trabalhar num filme sobre a paz. Ela tem um affair com um arquiteto japonês (Eiji Okada) também casado, cuja esposa está viajando. Nos dois dias que passam juntos várias lembranças vêem à tona enquanto esperam, de forma aflita, a hora da partida dela. Ela conta que foi "tosquiada", pois se apaixonou por um alemão (Bernard Fresson) quando tinha apenas 18 anos e morava em Nevers, sendo libertada no dia em que seu amor foi morto, já no final da 2ª Guerra Mundial. Por ter amado um inimigo ela foi aprisionada por sua família numa fria e escura adega e agora, 14 anos depois, novamente sente o gosto de viver um amor quase impossível. Foi pioneiro no uso de cortes para mostrar cenas em flashback, mesclando com cenas da atualidade.

02/04/2009: 4° Filme: O Signo do LeãoFicha Técnica
Título Original: Le Signe du Lion
Direção: Eric Rohmer
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 103 minutos
Ano de Lançamento (França): 1959

Pierre Wesselrin (Jess Hahn) é um músico parisiense que recebe um telegrama informando que sua tia rica faleceu. Como ela apenas tinha dois parentes vivos, Pirre deduz que herdará sua fortuna. Com isso decide realizar uma grande festa para comemorar, convidando todos os seus amigos. Entretanto no dia seguinte ele descobre que fora deserdado pela tia, com a fortuna ficando inteiramente para seu primo, que considera um idiota.

03/04/2009: 5° Filme: Os BichosFicha Técnica
Título Original: Les Biches
Direção: Claude Chabrol
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 103 minutos
Ano de Lançamento (França): 1968

Frédérique (Stéphane Audran) é uma rica e bela mulher, que acolhe em sua casa uma artista de rua chamada Why. Numa viagem a Saint Tropez, ambas se apaixonam por Paul Thomas (Jean-Louis Trintignant).