Batman: o Cavaleiro em trevas com a Sétima Arte

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No seu célebre livro de história “A Era dos extremos”, Eric Hobsbawm coloca Batman como um dos maiores ícones da cultura de massas do século XX. Batman foi criado por Bob Kane para a revista Action Comics em 1939. Em pouco tempo, tornou-se um dos principais
e mais populares personagens do gênero. Na Nona Arte, ao longo de quase setenta anos, os melhores escritores e desenhistas fizeram excelentes revistas, ajudando a elevar as historias em quadrinhos ao patamar de Arte, como Dennis’O Neil, Neil Adams, Frank Miller, Allan Moore, Brian Bolland. No entanto, na Sétima Arte, Batman nunca teve muita sorte. Seus filmes sempre foram medíocres, desde os seriados da década de sessenta com Adam West, até aos filmes de Tim Burton e Joel Schumacher na década de noventa, passando pelos dois filmes de Christopher Nolan, o primeiro BATMAN BEGINS (2005) e, o último, BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS.

O lançamento de Batman: o Bavaleiro das Trevas esteve em volto de uma grande expectativa. No primeiro filme, Nolan havia feito um filme coeso, simples e introdutório ao rico universo do Batman. Foram mostrados as motivações, as relações e as características psicológicas do próprio Batman, como também de alguns outros personagens como O Espantalho, Rãs Al Guhl, Gordon, Harvey Dent, etc. Vê-se um Batman em formação, no seu “Ano Um”.

A expectativa era grande: o grande vilão seria o coringa, maior antagonista do Batman. O ator que o interpretou (Heath Ledger), havia morrido de overdose pouco tempo depois da conclusão das filmagens. O que ajudou a aumentar a expectativa em torno do filme. Ledger, em algumas entrevistas, dizia que, para compor o personagem, havia se inspirado no baixista do Sex Pistols Sid Vicius e em Malcolm McDowell na interpretação de Alex, no genial filme Laranja Mecânica (1973), de Stanley Kubrick. O Coringa seria, então, uma síntese entre Vicius e Alex, com o aspecto físico do primeiro e o psicológico do segundo.

No que tange à estrutura do filme, ela é simples e segue os modelos e ditames do gênero hollywoodiano de ação. Há movimentos de câmeras e cortes rápidos, há ainda três picos de ação (Plot Point) com cenas de perseguição, de luta e, é claro, de explosões. Destaque ainda para a cena inicial de assalto à banco, onde temos meio que uma “quadrilha” drummoniana de assaltantes: o Assaltante A mata o Assaltante B, que havia matado o Assaltante C, que matara o Assaltante D, que matou o Assaltante A e que foi morto pelo Coringa. Mas o filme resume-se à caça de Batman ao Coringa, com algumas outras micronarrativas, como a gênese do Duas – Caras e a busca por um mafioso chinês em Hong Kong.

Por ser um filme de ação hollywoodiano, alguns aspectos formais cinematográficos do gênero são recorrentes, principalmente no que tange à angulação e aos planos, aos cortes, aos movimentos de câmeras, além da música extradiegética. Nas cenas de ação, os cortes são rápidos, uma das principais características deste gênero, os ângulos são os mais variados possíveis. Há ainda uma excessiva movimentação de câmera. A música guia e dita o ritmo do filme, além de controlar a recepção e as sensações do espectador. Chega-se a um ponto em que o efeito de expectativa é mais fortemente originado pela música do que pelos elementos fílmicos da narrativa diegética cinematográfica.

O filme se perde ainda no plano do conteúdo. Batman é um justiceiro que age à margem das instituições da lei, mas com o apoio delas (Delegacia, Promotoria, etc). Tem-se um homem que se veste de morcego e combate ao crime numa cidade caótica. Alias, o filme trata justamente da tentativa de se passar uma ordem de caos para uma ordem harmoniosa. Mas, como diz o Coringa: “Quanto mais Batman tenta ordenar o caos, mais ele é criado”.

O caos não deve ser compreendido como sendo criado unicamente pelo Coringa. Batman e o Coringa seria aquilo que a psicologia denomina de “Duplo”. A existência de um está condicionada pela do outro. Eles possuem as mesmas motivações. Ambos são, como diria Arkhan num célebre Gibi, "loucos". Só que Batman possui uma ética de estado, oriunda de uma moral, enquanto que o Coringa é um niilista. Sua ética se constrói no ato da ação. Ele não se interessa pelo dinheiro. Quer apenas demonstrar as suas teorias sociológicas de motivações de tipos psicológicos.

Talvez, o ponto mais interessante do filme seja justamente as teorias “coringuianas”. Ele desenvolve uma teoria das máscaras, quase no sentido junguiano, e o porquê do Batman usar máscara. Se bem que, o certo seria dizer que Batman veste a máscara de Bruce Wayne. O mais interessante são suas pretenças teorias sociológicas. Ele desenvolve uma teoria para se passar da ordem ao caos: basta tirar os planos e a rotina da sociedade. Ou seja, ela não sabe improvisar, não sabe ser “jazzistica”. Ela se sustenta a partir de planos, de estruturas estáticas e pré-concebidas. Remova estas estruturas ou reorganize-as-, eis que surge o caos tão almejado pelo Coringa.

Em quase duas horas e meia de filme, pode-se ver um exemplo claro de filme hollywoodiano: explosões sem sentido, uma narrativa simples, além da passividade do espectador. Não é necessário o diálogo entre a obra e o espectador, que não precisa atribuir significados aos elementos fílmicos. Como uma obra da Sétima Arte, Batman: o Cavaleiro das Trevas é medíocre. Mas como elemento de entretenimento é aprazível, principalmente quando faz referencias implícitas ao universo das Histórias em Quadrinhos. Único ponto em que há o diálogo entre o filme e o espectador. Mas só com leitores do gênero. Batman continua mesmo sem sorte no cinema. Mas com excelentes histórias em quadrinhos. Compensa ler a revista Batman: O Cavaleiro das Trevas (1988) de Frank Miller, do que ver o filme de Nolan.

Ficha TécnicaTítulo Original: The Dark Knight
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Jonathan Nolan e Christopher Nolan, baseado em estória de Christopher Nolan e David S. Goyer e nos personagens criados por Bob Kane
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 142 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: http://thedarkknight.warnerbros.com
Hot Site: www.adorocinema.com.br/hotsites/batman
Estúdio: Warner Bros. Pictures / Legendary Pictures / DC Comics / Syncopy
Distribuição: Warner Bros.
Produção: Christopher Nolan, Charles Roven e Emma Thomas
Música: James Newton Howard e Hans Zimmer
Fotografia: Wally Pfister
Desenho de Produção: Nathan Crowley
Direção de Arte: Mark Bartholomew, James Hambidge, Kevin Kavanaugh, Simon Lamont, Naaman Marshall e Steven Lawrence
Figurino: Lindy Hemming
Edição: Lee Smith
Efeitos Especiais: Double Negative / BUF / Gentle Giant Studos / New Deal Studios
Elenco
Christian Bale (Bruce Wayne / Batman)
Michael Caine (Alfred Pennyworth)Heath Ledger (Coringa)Gary Oldman (Tenente James Gordon)Aaron Eckhart (Harvey Dent / Duas-Caras)
Maggie Gyllenhall (Rachel Dawes)
Morgan Freeman (Lucius Fox)
Eric Roberts (Salvarote Maroni)
Cillian Murphy (Dr. Jonathan Crane / Espantalho)
Anthony Michael Hall (Mike Engel)
Monique Curnen (Detetive Ramirez)Nestor Carbonell (Prefeito)
Joshua Harto (Reese)
Colin McFarlane (Comissário Gillian B. Loeb)Melinda McCraw (Barbara Gordon)Nathan Gamble (James Gordon Jr.)Michael Jai White (Jogador)

Inumanarte

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Muitos pensadores se debruçaram na árdua tentativa de definição do amor, escrevendo rios de tinta sobre folhas, outrora, brancas e, hoje, turvas. Camões tentou defini-lo como um substantivo, adjetivando-o antinomicamente: “Amor é fogo que arde sem se ver;/É ferida que dói e não se sente;/É um contentamento descontente;/É dor que desatina sem doer;”. Para Drummond, ele é um verbo que se conjuga, impreterivelmente, no presente do indicativo: “O mundo é grande e cabe/nesta janela sobre o mar./O mar é grande e cabe/na cama e no colchão de amar./O amor é grande e cabe/no breve espaço de beijar”. Em ambos os poetas, o homem ama e substantivo e o verbo, sem discriminar a parte do todo ou vice-versa. Mas ele tem dois amores que só podem ser amados em um todo e em uma parte: a humanidade e a arte.

O humano é demasiado humano. Parte singular e componente essencial de um conjunto homogêneo composto por elementos heterogêneos e contraditórios. Moebius desenha que o “homem é bom”, mas ele nem serve de alimento para vermes extraterrestres. O homem é mau, senão fosse a humanidade, de nada o valeria. Como homem é desprezível, capaz de atos dicotômicos extremos que envergam o eixo x, transformando-o, primeiro, num arco, depois num circulo fechado, onde um ponto mais distante de um outro ponto é quando um está o mais próximo possível do outro. Nada do que é humano, é alheio à humanidade. Apassivadora, amam-na pelo aquilo que ela é-, não por aquilo que representa. A ordem primeira é inacessível-, o verbo é intransitivo. As contradições do ser impedem a transitividade. Pode-se apenas colocá-lo na voz passiva sintética, elidindo o sujeito, ressaltando o significado-, desprezando o objeto.

Enquanto olham para cima, tentando se elevarem, a arte mira para baixo. Vendo aquilo o que ela pode ser-, mas foi, agora não o é. É suprema. Oráculo. Está sobre o Aleph, constituindo a estrutura da máquina do mundo: circunspecta-, etérea. Sem verdades ou mentiras, com todas as possibilidades condensadas numa escala inversa ao infinito da forma-, em paralelo com o conteúdo. Única pedra filosofal, elixir da longa vida, não da eternidade-, da transsubstanciação. No grande meio-dia-, da grande meia-noite: dos dois regimes. Do mito, o verbo transforma. Há os três desejos: engenho, arte-, perenidade. A fiel criação, amada pelo criador. Adorada, julgadora-, juízos: de fato o valor, da lira-, da perspectiva-, dos coros. A chave do interesse da pergunta, morta no ladrilho já sereno. Nas dores fingidas-, as respostas de José, sempre Karamazov.

A novela por todos os anos da comedia humana. O paraíso reencontrado sobre os rios que vão-, está a terceira margem. O homem se afogou entre as duas, fez-se a luz-, entre a nona e décima, sonatas de morango silvestres. Nos jogos da mente, integra o todo. Em todos os dias do eterno retorno, um novo-, caso do vestido, do transvestido-, do invertido-dividido. Muitas humanidades-, uma arte.

3º Araraquara Punk

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“Quero um festa punkkkkkk”. Ocorrerá no próximo dia 17 de agosto (domingo) a terceira edição do Araraquara Punk no Rock Bar CAIBAR a partir das 14h00. O evento contará com a participação de nove bandas de Araraquara e da região como “Divida externa”, de Paulínia; “Restos de ontem”, de Araraquara; “Devil’s call”, de São José do Rio preto; “Funeral”, de Araraquara; “Psiculturas”, de Votoratim; “Atestado de Revolta”, de Araçatuba; “Hippes Not Dead”, de São Carlos; “Toxsina”, de Araraquara e, por último, a banda “Psycho Monsters (Mephisto’s Cover)”, de Araraquara. A entrada custará R$02,00. O Caibar fica na Rua Carlos Gomes, 2994 (próxima à avenida 36) no centro de Araraquara. Contato: (16) 3335-4517

Uma boa oportunidade de se ver e ouvir o bom, o velho e o atual punk. O evento retoma a tradição de Araraquara em organizar shows punks, como ocorria com o famoso “ROCK DO BAFO”, que por muitos anos trouxe diversas bandas para tocarem na cidade. Destaque ainda para a famosa banda do interior de São Paulo FUNERAL e para o Mephisto’s Cover. Como diz a letra da música dos REPLICANTES: “Quero uma festa punk” e quem quiser uma festa punk, o 3 º Araraquara Punk é uma boa.

Cine Campus: Blow Up

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Cultural Games

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O formato do Cultural Games é muito interessante: equipes disputam um jogo de perguntas e respostas com temáticas culturais. Os temas variam de cinema, literatura, artes visuais, história, à geografia, atualidades, dependendo da proposta do local realizador do jogo. Para a equipe vencedora há sempre uma premiação. Toda a última quinta-feira do mês é realizado o “Cultural Games” da Casa da Cultura, no Teatro “Wallace Leal Valentim Rodrigues” às 19h30. O evento é promovido e organizado pelo MIS (Museu da Imagem e do Som “Maestro José Tescari”) e é apresentado por Luis Augusto Zakaib, com o apoio da AAPA (Associação Araraquarense de Proteção aos Animais), que é responsável pela venda de bebidas e salgados.
As regras do Cultural Games da Casa da Cultura são simples: vence a equipe que primeiro chegar a pontuação de quatorze perguntas respondidas. Cada pergunta é direcionada para todas as equipes, que devem respondê-las, após quinze segundos, em um quadro. A equipe, ou equipes, que acertarem a resposta recebe um ponto. Há um grande quadro com os nomes da equipes, que são sempre originais e criativos, e com a pontuação. Ainda há uma grande rivalidade entre algumas, o que torna o jogo mais disputado, além de divertido e engraçado, quando ocorrem calorosas e amigáveis discussões entre as equipes.

Cada equipe deve ter, no máximo, seis membros. A premiação é composta por um kit montado pelo MIS, contendo livros de literatura, de música, além de camisetas e CDs. Ocorrem, em média, de três a quatro rodadas por edição. Há ainda um rank com a pontuação obtida pelas equipes ao longo dos meses, o que aumenta ainda mais a competitividade entre elas. A primeira equipe recebe dez pontos; a segunda recebe quatro pontos e a terceira recebe um ponto.

Na última quinta-feira, ocorreu mais uma edição do Cultural Games na Casa da Cultura, com a participação de seis equipes: Liga; Bad Cow; Cold; Charles Bronson; Klint; Kamikazi. Ocorreram três rodadas. Na primeira rodada, a “Liga Extraordinária” e a Charles Bronson empataram na primeira colocação, a segunda rodada foi vencida pela Charles Bronson e a terceira rodada vencida pela Liga. Aliás, estas duas equipes centram-se na disputa a cada rodada e a cada edição, deixando as outras equipes pra trás.

Os participantes compõem um grupo heterogêneo, desde profissionais liberais a estudantes secundaristas e universitários, passando por profissionais de diversas áreas. A faixa etária também varia muito. Esta heterogeneidade é um dos pontos positivos do Cultural Games, pois colocam em contato pessoas de idades e formações diferentes em torno de um jogo divertido e instrutivo.

Ao final de mais de duas horas de jogo e após três rodadas, é impossível não se envolver na disputa. As perguntas são sempre inteligentes e variadas, o que obriga cada equipe a ter “especialistas em determinados assuntos”. O Cultural Games já possui participantes fieis que não perdem nenhum edição do jogo. Ele é uma boa oportunidade de diversão e de testar os conhecimentos dos participantes, além de ser uma excelente oportunidade de aprendizagem, pois até no erro pode-se aprender. No acerto, pode-se ganhar diversos prêmios.

Projeto “Cinema em Série”

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Araraquara é uma cidade privilegiada e um ótimo recanto para os apreciadores da Sétima Arte. Há vários projetos, em várias partes da cidade, que exibem filmes gratuitamente, como o projeto “Ciclo de filmes”, no SESC; a “Sessão Zoom; Cine Campus; “Mostra de Cinema”, no SESI e o mais novo projeto: “Cinema em Série”. O projeto ocorre mensalmente, desde março de 2008, na Casa da Cultura “ Luiz Antônio Martinez Correia” com a exibição de um filme por semana, sempre às segundas-feiras às 20h, na Sala Jean-Paul Sartre, com entrada gratuita.

Mensalmente são escolhidos quatro filmes dentro de uma temática específica. A curadoria fica por conta de Elias Martins Araújo. Ele ressalta que o objetivo do projeto é divulgar filmes que estão fora do “eixo comercial” e que, portanto, não se encontram facilmente em vídeo locadoras. Além do mais, em algumas temáticas são convidados especialistas na área para que debatam e apresentem as características do filme e do ciclo em questão.

Neste mês, a temática do projeto será a de “Diretores Araraquarenses”. Serão exibidas produções que foram realizadas em Araraquara ou de diretores da cidade. Participarão diretores como Rubens Miranda, Paulo Delline, Beletti, quase todos produzidos pela “Casa do Saci”. Após as sessões, ocorrerá um debate com o diretores dos respectivos filmes. O público terá uma boa oportunidade para dialogar com os realizadores e produtores araraquarenses.

A escolha do tema deste mês ressalta a grande quantidade de filmes produzidos e dirigidos por pessoas ligadas à cidade de Araraquara. A cidade se mostra, desta forma, não só como uma grande divulgadora da Sétima Arte, mas também como um excelente pólo realizador, produzindo filmes de boa qualidade, sejam Curtas, Médias ou Documentários.


Programações do projeto:
Março: Irmãos Marx
Abril: Mel Brooks
Maio: Terror
Junho: Expressionismo
Julho: Mazzaropi
Agosto: Diretores Araraquarenses
Casa da Cultura "Luiz Antonio Martinez Corrêa"
End.:
Rua São Bento, 909Bairro: CentroCidade: AraraquaraFone: (16) 3322-7390 / (16) 3301-5179

Cine Campus: Laranja Mecânica

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Zimmerman "NO DIRECTION HOME" Dylan

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Na sua famosa composição niilística “God”, John Lennon enumera vários nomes que ele não acredita. Dentre estes nomes está o de Robert Zimmerman. Indagado, em uma célebre entrevista para a revista Rolling Stone em 1970, o porquê de ter dito não acreditar em Zimmerman ao invés de Dylan, Lennon diz que não acredita em Dylan e que há apenas Zimmerman. No documentário “No Direction Home”, dirigido por Martin Scorsese, pode-se ver justamente a transformação de Robert Zimmerman em Bob Dylan-, da sua infância em Hibbling-Minnesota, EUA, até a sua grande turnê européia em 1966, no qual Dylan era Bob Dylan.

A estrutura do documentário é simples e seus aspectos formais são tradicionais dentro do gênero. Há o depoimento de Dylan, contando fatos de sua vida, acontecimentos de sua carreira, além de seus próprios comentários sobre todo o conteúdo da narrativa. Os depoimentos de Dylan mesclam-se com entrevistas de pessoas que conviveram com o “Menestreu” como Joan Baez, Allen Ginsberg, Dave von Ronk, Suze Rotolo, Pete Seeger dentre outros. Os depoimentos e as entrevistas se amalgamam com vídeos, fotos e entrevistas da época, além das performances de Dylan e sua banda.

A temática do documentário é divida em temas que tentam desvendar a “metamorfose” e os restícios de Zimmerman em Dylan. A passagem, ou melhor dizendo, a fusão da música Folk com o Blues e o Rock. Cada tema é introduzido por uma performance de Dylan, o que sintetiza e introduz a temática do capítulo.

O documentário mostra todos os dramas e as etapas da passagem de Zimmerman para Dylan-, no plano musical, bem como as implicações e conseqüências desta mudança para a música Folk e para a música Pop. O cantor de músicas de protesto, que cantou na histórica marcha pelos direitos civis em Washington, onde Martin Luther King fez o seu mais célebre discurso, é vaiado poucos anos depois por usar percussão e guitarra elétrica -, é então chamado de traidor da música Folk.

Um dos pontos altos do documentário é o capítulo reservado à música “Like a Rolling Stone”. Todo o processo de composição, de gravação e de lançamento é mostrado. “Like a Rolling Stone” é um marco para a história da música Serial do século XX, por ter ampliado as possibilidades formais da música Pop. A canção não estaria mais presa a uma forma fixa, pequena e limitada-, seus limites formais foram ampliados.

Por quantas estradas um homem deve caminhar para que o chamem de homem? No documentário “No Direction Home”, Martin Scorsese caminha até o ano de 1966, no qual o mundo passou a conhecer apenas e somente Bob Dylan. Ao final de 208 minutos de documentário podemos entender o que foi e o que é Bob Dylan. Podemos conhecer mais profundamente um gênio por trás de grandes composições como “Blowin’ In The Wind”, “A Hard Rain’s A- Gonna Fall”, “Subterranean HomesickBlues”, “Mr. Tambourine Man” e, é claro, “Like a Rolling Stone” e ter certeza que os gênios fazem as suas próprias regras. Mas Zimmerman e Dylan ainda possuem traços em comum, o primeiro é Robert, o segundo, Bob, este diminutivo daquele.



NO DIRECTION HOME



Ficha Técnica
Título Original: Iden
Gênero: Documentário musical
Direção: Martin Scorsese
Tempo de Duração: 208 minutos
Ano de Lançamento (EUA, Reino Unido, Japão): 2005
Estúdio: Touchstone Pictures / Working Title Films / Dogstar Films
Distribuição: Paramount Pictures Brasil
Música: Bob Dylan



VII Araraquara Rock

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Araraquara Rock é um projeto desenvolvido pela Secretaria Municipal de Cultura e FUNDART, e acontece todo ano, desde 2002.

O festival, que já está em sua sétima edição, visa dar espaço para bandas do cenário underground, que são selecionadas através da avaliação de material autoral. Atualmente, o evento é conhecido em nível nacional, tendo uma importância fundamental na projeção de bandas de várias regiões do país.

Para apimentar ainda mais, algumas atrações especiais sempre são trazidas para o público que prestigia o evento. Já passaram por aqui bandas como Dead Fish, Wander Wildner, Dance Of Days, Gram, Dr. Sin, Tuatha de Dannan, Matanza, Ratos de Porão, Vanguart, entre outras. Kid Vinil já participou duas vezes como mestre de cerimônia.

Neste ano, o Araraquara Rock acontecerá nos dias 11, 12 e 13 de Julho, no Teatro de Arena. A abertura será no dia 10 de Julho no SESC. A inovação fica ainda com um ciclo de filmes, um workshop sobre crítica musical e um show de “ressaca”.

Ciclo de Filmes: Cinema e Rock and Roll

Terça-feira (01 de Julho)
Filme "Still Crazy" (1998).
Participação: Bandas de Araraquara selecionadas para o Araraquara Rock.

Quarta-feira (02 de Julho)Filme "A Hard Day's Night" (1964).
Participação: Breno Rodrigues de Paula e R. L. Almeida (UNESP/FCL-Ar).

Quinta-feira (03 de Julho)Filme "Easy Rider" (1969).
Participação: Jobert (Músico/Filósofo).

Sexta-feira (04 de Julho)
Video-documentário "Três ou quatro riffs" (2007).
Participação: Itaici Brunetti, Luiza Paiva, Roger Mendes e Jairo Falvo (Produtores).

Lembrando que as exibições acontecerão na Casa da Cultura, a partir das 19:30h, no auditório. A entrada é gratuita!


Abertura do festivalQuinta-feira (10/07), no Sesc Araraquara, às 21h30h:
- Abertura com Móveis Coloniais de Acajú.

Sexta-feira (11/07), no Teatro de Arena, a partir das 15:00h:22h30-Krisiun
21h00-Claustrofobia
20h00-Funeral

19h30-Mothercow (Sâo Carlos-SP)
19h00-Necrofobia (Ribeirão Preto-SP)
18h30-Suprema (São Bernardo do Campo-SP)
18h00-Hellishwar (Sorocaba-SP)
17h30-Keys of the light (Sâo Paulo-SP) 17h00-Leptospirose (Bragança Paulista-SP)
16h30-Jolly Joker (Belém-PA)
16h00-Dreamvision (Araraquara-SP)
15h30-Manthra (Américo Brasiliense-SP)
15h00-Cédula 3 (Araraquara-SP)

Sábado (12/07), no Teatro de Arena, a partir das 15:00h:
22h30-Nação Zumbi
21h00-Charme Chulo

20h00-Baranga

19h30-Pedra (São Paulo-SP)
19h00-Pepe Bueno (Sâo Paulo-SP)
18h30-The Name (Sorocaba-SP)
18h00-Sobreviventes do IDR (Caruarú-PE)
17h30-Sanguinea (Goiânia-GO)
17h00-Venus Volts (Campinas-SP)
16h30-Os Beagles (Bragança Paulista-SP)
16h00-Ellanus (Buri-SP)
15h30-Curta Metragem (Araraquara-SP)
15h00-Coração Civil (Araraquara-SP)

Domingo (13/07), no Teatro de Arena, a partir das 15:00h:22h00-Rock Rocket
21h00-Crazy Legs
20h00-Pata de Elefante

19h30-Bastardz (São Paulo-SP)
19h00-Maquiladora (Mogi das Cruzes-SP)
18h30-Odd Job (Araraquara-SP)
18h00-Jardim Cefálico (Sâo Carlos-SP)
17h30-Detroit (São paulo-SP)
17h00-Circo Motel (Sâo Paulo-SP)
16h30-JB e seus amigos sex symbols (Campinas-SP)
16h00-Ecos Falsos (Cotia-SP)
15h30-The Donnyzets (Araraquara-SP)
15h00-PH2 (Araraquara-SP)


Workshop Jornalismo Musical

- O Araraquara Rock promove, nos dias 11, 12 e 13 de julho, o Fórum Rock Público, que tem a proposta de abrir espaço para troca de idéias, colaborações e mudanças no contexto atual das organizações de festivais alternativos. O Fórum Rock Público será constituído de um workshop gratuito com o tema “Jornalismo e crítica musical”, com Adilson Pereira, do Rio de Janeiro.
Adilson Pereira, que ministra o workshop, é jornalista especializado na área de música, autor de reportagens e críticas. Atualmente, edita a revista on-line "Sambapunk" e colabora como repórter especial free lancer do portal da Oi.

A atividade será realizada no Teatro de Arena, na Vila Melhado, das 14h00 às 16h00, com atividades práticas durante o festival. As inscrições devem ser realizadas pelo e-mail: araraquararock@techs.com.br - até dia 08 de julho. É necessário enviar nome completo, telefone para contato e e-mail. São 15 vagas e serão selecionados os primeiros inscritos.


Workshop “Aquiles Priester” - Baterista do Angra, Hangar e Freakeys (14 de julho):
Local: Teatro Wallace Leal Valentin Rodrigues
Horário: 19h30
Entrada: 01 agasalho

Ressaca do Araraquara Rock “Curta Temporada” (16 de julho):Local: Quadra da Casa da Cultura
Horário: 19h30
Participação: Banda Morrigan toca “Iron Maiden” (Projeto Rainmaker)
Parceria: Museu da Imagem e do Som Maestro José Tescari

Dúvidas e informações pelo telefone (16)3332-8279 , ou e-mail araraquararock@techs.com.br

Entrada Gratuita.

Apocalypse Now: do Aqueronte ao Gangis

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Poucos filmes na história da Sétima Arte tiveram tantos problemas no seu estágio de filmagem e receberam tantos outros louros quanto “Apocalypse Now” (1979) de Francis Ford Coppola. A equipe de filmagem teve que enfrentar um furacão; uma guerra civil nas Filipinas; Marlon Brando gordo; orçamento estourado; infarto do ator principal, para, mesmo assim, fazer um dos melhores filmes de todos os tempos, recebendo dentre os principais prêmios: a palma de ouro de Cannes, o Oscar, além de vários outros prêmios e milhões de dólares. O fime foi baseado no livro "O Coração das Trevas", de Joseph Conrad.

Apocalypse Now é um filme de guerra diferente. A historia se passa durante a Guerra do Vietnam, quando o Capitão Willard (Martin Sheen) recebe a missão de executar o Coronel Kurtz (Marlon Brando), que se considera um Deus e vive entre uma tribo do Camboja. No entanto, o filme não é “um filme de guerra”, mas sim sobre a guerra, sobre os conflitos da alma humana e de uma nação (estadunidense), conflituosa com os seus conceitos paradoxais.

“Em todo coração humano há um conflito”. Kurtz é adorado como um Deus. Para resolver o seu conflito, o Capitão Willard aceita a missão: vai seguir o rio e matar Kurtz. O rio tem uma importância central na narrativa do filme. Toda a narrativa se constrói em torno do rio: “Nunca saia do rio, se não for até o fim”. O rio é uma metáfora da vida e do seu curso. Há um início-, uma nascente, neste caso uma missão, e um deságüe-, o fim, o cumprimento da missão.

O rio segue o seu curso, “na loucura e no homicídio, todos tem a sua parte”, como diz o personagem Tenente-Coronel Duque (Robert Duvall). A loucura de uma nação e dos paradoxos dos seus conceitos fica evidente na cena em que há o espetáculo das coelhinhas da PlayBoy. O caos entre as imagens estadunidenses típicas do fetiche libidinal das Cowgirl e Índia Apache mescla-se com soldados fervorosos pela libertação de seus Eros, fundindo-se com o som de “Susie Q.” do Creedence Clearwater Revival.

Um dos pontos fortes do filme é a trilha sonora e a importância concedida a ela na estrutura do filme é muito grande. Logo no início do filme, tem-se um plano seqüência da selva com helicópteros bombardeando-a, em seguida, há o corte para o Capitão Willard num quarto de hotel de Saigon, tendo ao fundo a música do The Doors “The End”. A música dita o ritmo e os cortes entre os planos da cena. Há o corte da imagem da hélice do helicóptero para o ventilador do teto e vice-versa.

A música “The End” fornece a estrutura narrativa do filme e a acompanha. Ela retorna ainda numa das mais belas cenas do filme, quando o Capitão Willard está dançando sozinho em seu quarto, fazendo movimentos que lembram rituais indígenas. Ele está em transe. O álcool é o combustível do ritual. O ritual é a iniciação de sua missão. A música funde-se aos movimentos, dá-lhe ritmo. “The End” retorna ainda no final do filme, quando Willard está executando a missão: “eis que este é o fim”. O fim da missão-, o fim do rio.

Merece destaque ainda “A Cavalgada das Valquírias”, de Richard Wagner. A música serve de ingrediente para a cena mais famosa do filme: o ataque da “cavalaria do ar” comandada pelo Tenente-Coronel Duque. Há um balé, uma “cavalgada”, sincronizada de helicópteros que bombardeiam uma aldeia. A música aumenta a tensão. Duque ressalta que ela faz parte da “guerra psicológica”. Nesta cena, tem-se o ápice do filme. Aqui, tem-se um bom exemplo de como a música pode passar de diegética para extradiegética em um filme e alcançar o seu objetivo: dar mais expressividade à cena.

Apocalypse Now é um filme único-, espetacular que retrata, não os horrores da guerra do Vietnam, mas sim os horrores da loucura humana e os conceitos paradoxais de uma nação. Um joga cartas da morte sobre cadáveres, o outro se considera um Deus, enquanto um faz uma guerra sem sentido. O que temos é um filme filosófico, dialético de uma certa forma: homem x selva; rio x guerra. E a síntese, bem ela é alegórica e alucinante. “Só saia do barco, se for até o fim”. “This is the end”.
Apocalypse Now


Ficha Técnica
Título Original: Apocalypse Now
Direção: Francis Ford Coppola
Roteiro: Francis Ford Coppola eJohn Milius, baseado em romance de Joseph Conrad
Gênero: Guerra
Tempo de Duração: 148 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1979
Estúdio: Zoetrope Studios
Distribuição: United Artists
Produção: Francis Ford Coppola
Música: Carmine Coppola, Francis Ford Coppola e Mickey Hart
Direção de Fotografia: Vittorio Storaro
Desenho de Produção: Dean Tavoularis
Direção de Arte: Angelo P. Graham
Figurino: Charles E. James
Edição: Lisa Fruchtman, Gerald B. Greenberg, Richard Marks, Walter Murch e Randy Thom
Elenco
Marlon Brando (Coronel Walter E. Kurtz)
Robert Duvall (Tenente-coronel Kilgore)
Martin Sheen (Capitão Benjamin L. Willard)
Frederic Forrest (Chefe)
Albert Hall (Chefe Phillips)
Sam Bottoms (Lance Johnson)
Laurence Fishburne (Sr. Clean)
Dennis Hopper (Fotógrafo-jornalista)
G.D. Spradlin (General Corman)
Harrison Ford (Coronel Lucas)
Jerry Ziesmer (Civil)
Scott Glen (Colby)
Francis Ford Coppola (Diretor de TV)