O cinema e a sua reprodutividade técnica na era da cultura de massas

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Preponderantemente, existem duas formas de análise de uma obra de arte: a primeira puramente imanentista, preocupada estritamente com os elementos internos e estéticos da obra, e a segunda puramente de bases sociológicas preocupada com a relação dialógica e, em grande parte, dialética da obra de arte com a sociedade. A análise de base sociológica teve o advento e uma relação com o pensamento marxista através do método “materialista histórico dialético”. Um dos principais teóricos do marxismo e um dos mais importantes estudiosos da sociologia da arte foi o alemão Walter Benjamin. Em um célebre ensaio “A obra de arte da era da sua reprodutividade técnica”, texto datado de 1936, o pensador alemão lançou as bases para o estudo da cultura de massas e fez uma relevante análise sociológica do cinema.

No seu ensaio, Walter Benjamin analisa a tendência evolutiva da arte nas condições materiais do modo de produção capitalista a partir do método marxista. O método materialista histórico dialético vê a história e o desenvolvimento da sociedade como um processo dialético. As condições materiais e as relações do modo de produção, que se configuram na relação entre forças produtivas e meios de produção, se materializam na história, no modo de organização da sociedade e na arte em geral.

Walter Benjamin relaciona as características materiais do modo de produção capitalista, um modo de produção serial e em massa, com o surgimento da “era da reprodutividade técnica da obra de arte”. O pensador alemão salienta que a obra de arte sempre foi reprodutível. Contudo, a reprodução técnica representaria um processo novo que se desenvolve a partir das técnicas e organização do modo de produção capitalista. O novo processo de reprodução técnica trouxe implicações para o desenvolvimento das artes sem precedentes: como a crise da autenticidade, a perda da tradição e o advento da cultura de massas.

Na reprodutividade técnica, não existem os conceitos de falsidade e autenticidade, ou seja, eles não são aplicáveis. A esfera da autenticidade, de acordo com Benjamin, escapa à reprodutividade técnica. A autenticidade é a quintessência de tudo o que foi transmitido pela tradição, desde a sua origem, passando pela sua duração material, indo até o seu “testemunho histórico”. Falsidade e autenticidade da obra tornam-se sem sentido e sem importância, neste contexto, pois a reprodução técnica tira o “peso tradicional” da obra e, conseqüentemente, o peso da autenticidade e o conceito de falsidade.

A reprodução técnica retiraria, segundo Benjamin, o domínio da tradição da obra reproduzida. Na media em que há a reprodução, a obra perde a sua existência única e passa a ter uma existência serial. Benjamin afirma que a reprodução técnica permite a obra ir ao encontro do público. Como a obra de arte não possui mais uma existência única, cada indivíduo tem a possibilidade de consumir a sua, eis que surge a cultura de massas. Pois a obra de arte é concebida com a finalidade e a necessidade de sua reprodução técnica, sendo ela destinada às massas.

Na conjuntura da cultura de massas, o cinema surge e se torna uma arte ligada à era reprodutividade técnica. Benjamin afirma que, no caso da obra cinematográfica, é essencial a sua reprodução técnica e a sua difusão em massa se torna obrigatória. A difusão em massa se torna, em termos, obrigatória devido ao fato da produção de um filme ser muito cara, não havendo a possibilidade de um único consumidor pagá-lo e mantê-lo, desta forma, em uma existência única.

O filme é uma forma cujo caráter artístico seria, em grande parte, determinado pela sua reprodutividade. No entanto, a reprodutividade técnica modifica a relação das massas com a arte, formando um “paradigma contratual”. Na cultura de massas, há um “contrato” entre os produtores e realizadores de filmes com o público. São produzidos determinados tipos de filmes com determinadas características e funções, as quais o público está habituado a absorver. Como conseqüência, este “contrato” gera a perda de qualidade artística e a perda da necessidade de inovação e desenvolvimento da linguagem cinematográfica.

O cinema, no contexto da cultura de massas, serve apenas como objeto de entretenimento destinado às massas. Benjamin alerta sobre o fato do cinema está inserido neste contexto. Para ele, quanto mais se reduz “significação social” de uma arte, maior fica a distância, no público, entre a atitude de fruição e a atividade crítica. Benjamin salienta ainda que a partir do processo de reprodução técnica em massa, o cinema passa a se fundar em uma outra práxis: política. Ou seja, ele passa a servir como veículo de difusão de ideologias, seja diretamente ou indiretamente, como ocorreu na Itália fascista, na Alemanha nazista e em Hollywood.

O ensaio de Walter Benjamin “A obra de arte na era de sua reprodutividade técnica” constitui um dos principais e mais influentes estudos sobre o cinema. Ele relaciona o desenvolvimento dos modos de produção capitalista com o advento da era da reprodutividade técnica da obra de arte e ao desenvolvimento da arte cinematográfica. A era reprodutividade técnica trouxe algumas implicações para a obra de arte, como uma existência serial e a fundamentação em uma práxis política, de modo que a reprodução em massa corresponde de perto à reprodução das massas, sou seja, corresponde à criação da cultura de massas, na qual o cinema possuiria um papel central, mas não único.

Tarkoviski e a Metafísica do Belo no filme “Andrei Rublev”

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Andrei Tarkoviski possui uma posição inusitada na história do cinema russo. Sem dúvida, ele é o mais expressivo e importante cineasta da Rússia desde a tríade de grandes cineastas da Escola Formativa Russa (Eisenstein, Pudóvkin, Kuleshov), que teve seu auge na década de 20 do século passado. Estudado, amado e laureado fora Rússia, no entanto, em seu país, Tarkoviski foi incompreendido e extremamente censurado. As características de seus filmes não se enquadravam nos preceitos da estética do “Realismo Socialista”, então pregada como obrigatória na União Soviética.Tarkoviski realizou apenas oito filmes nos seus vinte e oito anos de carreira, desde a data do seu primeiro filme, aos vinte e oito anos, “O rolo compressor e o Violinista” (1960) ao último, um ano antes de sua morte, “O Sacrifício” (1986). Este pequeno número de filmes não significa um conjunto pobre de obras, pelo contrário, seus filmes possuem características de dimensões filosóficas, anteriormente, alcançadas somente pelo cineasta sueco Ingmar Bergman. Um filme que seria a obra prima de Tarkoviski, e síntese de seu modo de conceber uma obra dentro da Sétima Arte, é o fantástico “Andrei Rublev” (1966). No filme, questões filosóficas, tais como a relação dialética entre Artista x Meio e Arte x Sociedade, juntamente com questões de qual a função e constituição do Artista e de da Obra de Arte são desenvolvidas a partir de uma narrativa cinematográfica singular e inovadora.

O filme é uma biografia não linear do grande pintor russo Andrei Rublev, que viveu entre os anos de 1360 e 1430. Um período extremamente conturbado da história da Rússia, que sofria com invasões de tribos Tártaras e estava no auge da Baixa Idade-Média. Acompanhamos, ao longo de mais de três horas e meia, a trajetória de Rublev e o surgimento e desenvolvimento de seus anseios e de suas dúvidas sofre a fé (Deus), a sociedade russa e sobre a Arte. Vê-se a tentativa do Artista de compreender o mundo a sua volta, seja nos aspectos históricos e sociais, como também artísticos e estéticos, numa incessante busca pelo conhecimento e pela verdade.

A narrativa do filme é bastante interessante e muito inovadora. Ela é estruturada a partir de oito blocos narrativos autônomos, compostos por histórias não lineares a partir da seleção de faixas temporais. Não são narrados exclusivamente momentos da vida do grande pintor russo, pelo contrário, não há o protagonista clássico, no qual a narrativa e os acontecimentos desenvolvem-se a sua volta. Este é um dos pontos inovadores desenvolvidos por Tarkoviski, pois Rublev é um “observador”-, os acontecimentos desenvolvem-se aquém dele, por isso o filme perde o caráter biográfico e, até mesmo, histórico, pois ambos não são importantes-, o central é a “ideia”, na sua acepção estética e filosófica do termo.

A inovação de Tarkoviski, na estrutura narrativa de “Andrei Rublev”, foi extremamente mal recebida pelo público, pela crítica e pelos políticos soviéticos. Eles alegavam que a narrativa do filme subvertia os dados históricos e a biografia do grande pintor russo. Bradavam ainda que o cineasta desconsiderou a conjuntura materialista histórica dialética e que ainda não se utilizou dos preceitos da estética “Realista Socialista”, que vinha no seu auge criativo com o cineasta Mikhail Kalatazov através do filme “Soy Cuba” (1964). Devido a este conjunto de fatores, Tarkoviski foi censurado e execrado pela crítica cinematográfica soviética. No entanto, fora da Rússia, “Andrei Rublev” recebeu diversos prêmios, dentre eles o “Prêmio da Crítica” do Festival de Cannes. O filme é ainda considerado um dos mais importantes da história do cinema.

A importância e a qualidade do filme “Andrei Rublev” também se sustenta a partir do seu conteúdo e da maneira como Tarkoviski o concebe, dando-lhe uma dimensão que vai além da narrativa, chegando ao nível filosófico. Tarkoviski foi único cineasta, na história da Sétima Arte, no qual a sua obra conseguiu se aproximar, mas não chega, das características do maior de todos os cineastas: o sueco Ingmar Bergman. Ambos cineastas (um mais, outro menos) intelectualizaram a realidade efetiva e fizeram com que a Arte fosse a expressão máxima dela. Para eles, o mundo é a representação, ou seja em termos schopenhauerianos, a vontade de representação do Artista, através da sua obra de Arte. O que move esta vontade é a investigação gerada, de acordo com Schopenhauer, por uma necessidade metafísica.

O Artista pretende decifrar o enigma do mundo, não pelo conhecimento racional (isto cabe a ciência), mas através da Arte e é justamente isto que Andrei Rublev almeja fazer. Ao longo do filme, Rublev tenta compreender o mundo a sua volta de forma racional a partir dos três pontos de referência que ele possui: a fé, a crença na sociedade russa e a Arte. Contudo, ao longo da narrativa, ele perde a sua crença nestes três pontos, voltando a acreditar somente na Arte, quando conhece o jovem sineiro Boriska, isto no final do filme.

A fé de Rublev é abalada no momento em que as questões e as respostas da teologia cristã não conseguem lhe satisfazer o espírito incessantemente interrogativo e contemplativo. Ele fica maravilhado com a pureza e a liberdade de um culto pagão, mas se decepciona, quando cavaleiros, em nome da santa religião, matam brutalmente os pagãos. Sua crença na sociedade e no povo russo é abalada ao presenciar as guerras e as invasões tártaras, na qual um príncipe russo se alia aos tártaros para tomar o trono de seu irmão gêmeo. Por seu turno, sua crença na Arte é abalada no momento em que suas pinturas são destruídas e pelos ciúmes e inveja do seu grande amigo Kiril para com ele. Rublev perde completamente os seus três pontos de referência no momento em que mata um soldado tártaro. Ele havia tirado uma vida, não criado algo-, decide parar de pintar e se isola num mosteiro.

Rublev reata a sua crença na Arte, na mais bela cena do filme: “A fabricação do sino”. Ele observa o modo que o jovem sineiro Boriska fabrica o sino: não aceitando conselhos e, muito menos críticas-, indo apenas com a sua intuição e espírito criativo. Boriska representa o Artista, o Gênio criador. Ele tem a capacidade preponderante de apreender as idéias e a realidade das coisas por intuição contemplativa e puramente objetiva, ou seja a capacidade criativa. Isto desperta Rublev. O pintor pede para que o jovem o acompanhe: um pintando e o outro fazendo sinos.

Em “Andrei Rublev”, Tarkoviski realizou uma obra de profundidade filosófica cheia de questões relacionadas à estética e a metafísica. Através do personagem Rublev há a discussão do papel do Artista na sociedade e a função da Obra de Arte. Tarkoviski realiza o filme a partir de uma “metafísica do belo”, no qual o conhecimento estético se torna algo que não pode ser comunicado mediante doutrina e conceitos, mas apenas, como salienta Schopenhauer, por meio de Obras de Arte. “Andrei Ruiblev” é uma das grandes e mais importantes obras da Sétima Arte. Aos que a censuraram, por não ser fiel ao contexto histórico, cabe as palavras de Aristóteles, retiradas do livro V da “Arte Poética”, sobre a diferença entre a História e Literatura: “a primeira narra o que foi, a segunda narra o que poderia ter sido”. O filme “Andrei Rublev” narra aquilo que poderia ter sido e, acima de tudo, o que pode ser.

Araraquara, 20 de janeiro de 2009.

Vick Barcelona Cristina: onde está Woody Allen?

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Woody Allen é um dos cineastas mais prolíficos da história do cinema, ao longo de quarenta anos, atuou, produziu, escreveu e dirigiu quarenta e dois filmes com um estilo único e inconfundível, indo da comédia ao drama moderno, criando, às vezes, personagens que se confundem com o próprio sujeito empírico de Allen. No entanto, o filme “Vick Cristina Barcelona” (Espanha, 2008) destoa um pouco do estilo de Woody Allen: não há Manhattan, longos diálogos, jazz e nem mesmo a atuação de Allen. "Vick Cristina Barcelona" é uma produção espanhola, rodada em Barcelona com os dois atores espanhóis mais famosos da atualidade: Penélope Cruz e Javier Barden. Woody Allen foi contratado para fazer um filme “propagandístico” sobre a cidade.

Toda a narrativa do filme gira em torno das amigas Vick (Rebecca Hall) e Cristina (Scarlett Johansson) e na maneira que elas se relacionam com Juan Antonio (Javier Barden) e, posteriormente, com Maria Elena (Penélope Cruz) durante a estadia de ambas em Barcelona. No entanto, Allen não cai no clichê do triângulo amoroso de duas estrangeiras com o esteriótipo do sedutor espanhol. Ele constrói bem todas as personagens, caracterizando-as entre o apolíneo e o dionisíaco.

Vick é uma típica intelectual acadêmica. Vai à Barcelona fazer mestrado sobre a arte e a cultura Catalã. Nela pode-se notar todos os impulsos apolíneos, destacando a racionalização e o cientificismo. Por seu turno, Cristina é uma artista, almeja se expressar através da arte, tenta se descobrir através dela. É totalmente impulsiva e dionisíaca, está em constantes devaneios.

A grande sacada de Allen é não ter caído no clichê do triangulo amoroso. O tema central da narrativa é justamente a tentativa de conciliação entre os impulsos dionisíacos e apolíneos, no sentido nietzschiniano dos termos, ou seja, na conciliação e fortalecimento da amizade entre as duas amigas: Vick e Cristina, esta conciliação se dá em Barcelona, um local de descoberta e auto-conhecimento para ambas. Uma depende da outra, o que falta em uma, tem na outra e vice-versa.

É difícil ver um filme de Woody Allen sem ter jazz e Nova Iorque. “Vick Cristina Barcelona” é um filme encomendado. Mas, ele peca em não explorar Barcelona. Ela quase que não aparece, mesmo estando no título do filme. Alguns elementos do estilo de Allen continuam: narrador off e diálogos inteligentes. Com este filme, uma coisa é certa, Allen garantiu a produção do seu próximo filme, no qual, com certeza, haverá jazz, Nova Iorque e o próprio Woody Allen.

Mostra Proibida 2! Filmes Censurados na Ditadura Militar

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A “MOSTRA PROÍBIDA 2!: FILMES CENSURADOS NA DITADURA MILITAR” exibirá quatro filmes, um de cada ano, de 1967 a 1970 com o intuito de ressaltar como os mesmos se contextualizam historicamente no período da Ditadura Militar e a relação deles com o órgão de censura do regime militar, principalmente após o AI5 (Ato Institucional Nº 5). Além das exibições, o evento terá início com um debate temático, com o curador Breno Rodrigues*, para contextualizar a Mostra, os filmes e o contexto histórico (político e econômico) do Brasil nos anos de 68 e 69 do século passado. A mostra é promovida pela Oficina Cultural Regional “Lélia Abramo” e ocorrerá dos dias 15 a 18 de dezembro, na Casa da Cultura de Araraquara das 15h00 as 18h00 e é gratuita.

Os quatro filmes da mostra inserem-se dentro da estética cinematográfica do “Cinema Novo”, alguns mais, outros menos. O primeiro filme será “Terra em Transe” de Glauber Rocha filmado em 1967. O segundo será “O Bandido da Luz Vermelha” de Rogério Sganzerla filmado em 1968. O terceiro será “Macaunaíma” de Joaquin Pedro Andrade filmado em 1969 e, por último, o quarto será “Como era gostoso o meu Francês” de Nelson pereira dos Santos rodado em 1970.

A mostra busca exibir alguns filmes que foram censurados nos anos de 67 a 70. Ela almejará fazer um resgate dos quarenta anos do AI5, ressaltando o impacto imediato do Ato para com o cinema Brasileiro. Além de tentar ressaltar a influência nefasta do Regime Militar sobre o cinema brasileiro que vinha no seu auge com o “Cinema Novo”, ao longo da década de 60 do século passado. O público poderá ter um contato com produção cinematográfica brasileira no período mais conturbado de sua história. Além das exibições, o evento terá início com um debate temático, com o curador, para contextualizar a Mostra, os filmes e o contexto histórico (político e econômico) do Brasil nos anos de 68 e 69 do século passado.

O Ato Institucional Nº 5, ou simplesmente AI5, que entrou em vigor em 13 de dezembro de 1968, era o mais abrangente e autoritário de todos os outros atos institucionais. O ato instituiu uma censura nas artes, e principalmente no cinema, mais ferrenha, cerceando a liberdade de expressão e criação artística dos cineastas. Para demonstrar como funcionava o órgão de censura e a sua política para com o cinema serão expostos cópias de arquivos, como protocolos, relatórios, etc. retirados do sitio Memória Cine Br http://www.memoriacinebr.com.br, na qual o público poderá ver o parecer dos censores sobre os filmes.

Local: Casa da Cultura de Araraquara, Rua São Bento, 909, Centro
Data: de 15 a18 de Dezembro de 2008
Horário: 15h00

Inscrições Gratuitas no dia do evento

Contatos: breno9d@yahoo.com.br, Oficina Cultural: 3324-3946

Realização: Oficina Cultural Regional “Lélia Abramo”
Apoio: PET-Letras;
UNESP Araraquara;
Secretária de Cultura do Município de Araraquara;
Travessa Literária www.travessaliteraria.blogspot.com

* Breno Rodrigues é graduando em Letras e bolsista do PET-Letras na UNESP de Araraquara, é diretor e escreve sobre cinema e literatura no blog Travessa Literária.


Cronograma

15/12/2008 TERRA EM TRANSE
Título Original: Terra em Transe
Direção: Glauber Rocha
Roteiro: Glauber Rocha
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 115 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 1967
Estúdio:
Distribuição: Difilm
Produção: Zelito Viana
Música: Sérgio Ricardo
Fotografia: Dib Lufti
Direção de Arte: Paulo Gil Soares
Figurino: Paulo Gil Soares e Clóvis Bornay
Edição: Eduardo Escorel

O senador Porfírio Diaz (Paulo Autran) detesta seu povo e pretende tornar-se imperador de Eldorado, um país localizado na América do Sul. Porém existem diversos homens que querem este poder, que resolvem enfrentá-lo.Em abril de 1967 o filme foi proibido em todo território nacional, por ser considerado subversivo e irreverente com a Igreja. Depois foi liberado, com a condição de que se desse um nome ao padre interpetrado por Jofre Soares.

16/12/2008 O Bandido da Luz Vermelha

Título Original: O Bandido da Luz Vermelha
Direção: Rogério Sganzerla
Roteiro: Rogério Sganzerla
Gênero: Policial
Duração: 92 min.
Lançamento (Brasil): 1968
Distribuição: Urânio Filmes e Riofilmes
Produção: Urânio Filmes
Música: Rogério Sganzerla
Fotografia: Peter Overbeck
Desenho de Produção: Andréa Tonaci
Montagem: Sílvio Renoldi

Um assaltante misterioso usa técnicas extravagantes para roubar casas luxuosas de São Paulo. Apelidado pela imprensa de "O Bandido da Luz Vermelha", traz sempre uma lanterna vermelha e conversa longamente com suas vítimas. Debochado e cínico, este filme se transformou num dos marcos do cinema marginal.

17/12/2008 Macunaíma
Título Original: Macunaíma
Direção: Joaquim Pedro de Andrade
Roteiro: Joaquim Pedro de Andrade, baseado no livro homônimo de Mario de Andrade
Gênero: Coomédia
Duração: 108 min.
Lançamento (Brasil): 1969
Distribuição: Emabrafilmes

Macunaíma é um herói preguiçoso, safado e sem nenhum caráter. Ele nasceu na selva e de negro (Grande Otelo) virou branco (Paulo José). Depois de adulto, deixa o sertão em companhia dos irmãos. Macunaíma vive várias aventuras na cidade, conhecendo e amando guerrilheiras e prostitutas, enfrentando vilões milionários, policiais, personagens de todos os tipos. Depois dessa longa e tumultuada aventura urbana, ele volta à selva. Um compêndio de mitos, lendas e da alma do brasileiro, a partir do clássico romance de Mário de Andrade.

18/12/2008 Como era gostoso o meu Francês
Título Original: Como Era Gostoso O Meu Francês
Direção: Nélson Pereira dos Santos
Roteiro: Nelson Pereira dos Santos
Gênero: Aventura
Duração: 83 min.
Lançamento (Brasil): 1970
Distribuição: Condor Filmes e Riofilme
Direção: Nélson Pereira dos Santos
Roteiro: Nelson Pereira dos Santos
Produção: Nelson Pereira dos Santos, Luiz Carlos Barreto e Condor Filmes
Música: Zé Rodrix e Guilherme Magalhães Vaz
Fotografia: Dib Luft
Desenho de Produção: Régis Monteiro
Direção de Arte:
Figurino: Mara Chaves
Edição: Carlos Alberto Camuyrano
Pesquisa Etnográfica: Luis Carlos Ripper
Diálogos em tupi: Humberto Mauro

No Brasil de 1594, um aventureiro francês prisioneiro dos Tupinambás escapa da morte graças aos seus conhecimentos de artilharia. Segundo a cultura Tupinambás, é preciso devorar o inimigo para adquirir todos os seus poderes, no caso saber utilizar a pólvora e os canhões. Enquanto aguarda ser executado, o francês aprende os hábitos dos Tupinambás e se une a uma índia e através dela toma conhecimento de um tesouro enterrado e decide fugir. A índia se recusa a segui-lo e após a batalha com a tribo inimiga, o chefe Cunhambebe marca a data da execução: o ritual antropofágico será parte das comemorações pela vitória.

1º Concurso de Poesias do Bar do Zinho de Araraquara

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“Bar é cultura”, com esta máxima que o famoso e histórico Bar do Zinho de Araraquara organizou o 1º Concurso de Poesias com a premiação de troféus, kits do MIS (Museu da Imagem e do Som) e livros. Foram vinte e cinco escritos com trinta e três poesias ao todo. A organização do concurso ficou a cargo do dono do bar Fran com a colaboração de João Alexandre Minali. O corpo de jurados foi composto por quatro membros: Breno Rodrigues de Paula; Flávia Prates; Marcelo Enrico Parancine e Sergio Ap. Martins que escolheram as dez melhores poesias enviadas ao concurso.

A premiação ocorreu sexta-feira (dia 28 de novembro) às 20h00, no Bar do Zinho com as mestras de cerimônias Maria Alice Ferreira e Fabiana Virgílio. Todas as poesias foram expostas na parede do bar para que os freqüentadores pudessem lê-las. O anúncio das poesias vencedoras foi intercalado com apresentações culturais, como música ao vivo com Maria Alice Ferreira, leitura de poemas e dança do ventre com Fabiana Guedes.

A premiação consistia: da décima a sexta recebiam troféu e certificado; da quinta a terceira recebiam troféu, certificado e livro; a segunda e a primeira recebiam troféu, certificado, livro e um kit do MIS. As poesias premiadas foram:

1ª “Solidão”, de Fabiana Guedes
2ª “Vendeta”, de Aruam
3ª “Esperando o amor”, de Fabiana Guedes
4ª “Onirismo”, de Melindrosa
5ª “Introspecção”, de Fabri Coruja Cinzenta
6ª “Lembrança”, de Poeta do Mato
7ª “Poema sinestésico”, de Raman
8ª “Esquinas”, de Poeta do Mato
9ª “Olhos nos olhos”, de Tânia Capel
10ª “O Poema da exaltação”, de Fabri Coruja Cinzenta

O 1º Concurso de Poesias do Bar do Zinho mostrou-se ser um evento cultural frutífero que ressalta uma nova proposta de ambiente de convívio que é o Bar. Muitas pessoas o vêem como um local inferior, culturalmente e socialmente falando, no entanto ele também pode ser um local de sociabilidade e convivência. O Bar do Zinho é diferenciado, pois com seu eslogan “Bar é cultura”, desenvolve diversas atividades culturais como o Cultural Games, que ocorre todos os domingos às 20h00, e o Cine Zinho às segundas-feiras sempre às 22h00, além do concurso de poesias.

Apresentação do Grupo de Teatro THIASOS com a montagem de "MORNO QUASE QUENTE"

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O grupo Thiasos de Teatro Universitário nasceu no primeiro semestre de 2008 na Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara – UNESP/FCL-Ar., com a iniciativa de duas alunas do primeiro ano do curso de Letras: Maria Luisa e Alice. O grupo recebeu apoio da Profª. Drª. Edvanda Bonavina da Rosa, da direção e de alguns departamentos da unidade, desde então vêm desenvolvendo atividades e estudos dentro do gênero dramático. Atualmente conta com a participação de sete integrantes entre graduandos em Letras, Ciências Sociais e Administração Pública. Os ensaios ocorrem sempre todas as quartas-feiras às 19h00 na Chácara Waldemar Safiotti.

O objetivo do grupo é promover algumas expressões artísticas ligadas ao teatro, tendo como principal proposta a divulgação das características do gênero dramático no espaço universitário e para a comunidade em geral. O grupo parte da conciliação do aparato teórico, que os alunos já obtêm dentro da estrutura curricular do curso de Letras, com o prático a partir do estudo e da montagem de textos dramáticos.

A primeira apresentação do grupo se dará no Pocket Show Maldito no próximo dia 29 (sábado) às 24h00 dentro da III Mostra de Mostra Wallace Leal Valentin Rodrigues, organizada pela Secretária de Cultura de Araraquara, no teatro Wallace Leal Valentin Rodrigues com a montagem de “Morno Quase Quente”, um conjunto de textos que misturam drama e comédia tais como Briga na Procissão”, de Chico Pedrosa; “Linha de Tiro”, de Marcelino Freire, além de textos de Fernando Pessoa e Maiakovski.

“Cada integrante do grupo escolheu o texto que queria interpretar, cada um levou para o ensaio um texto que tinha mais afinidade.” Ressalta Mayra Massuda ao justificar o porquê da escolha dos textos e dos autores trabalhados. “A escolha dos textos acaba por representar o perfil do grupo: todos os integrantes possuem igual importância e autonomia de escolha e de decisão sobre as atividades e diretrizes do grupo”, afirma ainda Mayra.

Para maiores informações sobre o grupo e contato:
Mayra Massuda: massuda_mayra@hotmail.com (19) 92648302

Cine Campus: Pequena Miss Sunshine

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Quando foi lançado no final de 2006, o filme "Pequena Miss Sunshine" (Litte Miss Sunshine, EUA, 2006, Jonathan Dayton e Valerie Faris) logo se tornou um fenômeno de bilheteria e de crítica, algo meio que raro para os filmes estadunidenses. O filme foi indicado ao Oscar em diversas categorias, inclusive para melhor filme. Mas, é claro que não ganharia, o prêmio foi dado à Martin Scorsese, desmerecidamente, ao seu filme “Os Infiltrados”, que o dessem em 1975 com “Táxi Driver” ou em 1984 com “Depois das horas”. "Pequena Miss Sunshine" não foi produzido por um grande estúdio. Não tinha lobby, mas tinha qualidade; ganhara o Sundance Festival, talvez um dos poucos festivais sérios dos EUA, de qualidade e com um bom perfil: filmes simples, inteligentes, de boa qualidade e independentes.

“Ninguém é normal”, se está é uma máxima para categorizar os membros da família Hoover, imagine como são os membros dela. Tem-se um pai que está obcecado no seu “revolucionário” e “novo” método para criar “vencedores”, quer publicá-lo e vendê-lo aos montes, para que, assim todos que queiram, possam ser “vencedores”; uma mãe neurótica e perdida; um tio suicida (o maior especialista de Marcel Proust nos EUA); um avô viciado em cocaína e coreógrafo; um irmão que se chama Dwayne e está obcecado em se tornar piloto de caças e é fã de Nietzsche; e há a pequena Olive de 7 anos, o centro de tudo, o ponto de equilíbrio da família.

Toda história do filme se passa em torno de Olive, que adora concurso de Miss e almeja se tornar uma. Ela ganhara a segunda colocação no concurso regional de Miss Chili em Alburquerque, no entanto, a primeira colocada adoeceu, devido à remédios para emagrecer, Olive ganha a vaga no concurso Little Miss Sunshine na Califórnia. Eis que começa a viagem da família Hoover para levar Olive ao concurso, percorrendo mais de 1.000 Km., mas antes de chegar até lá muita coisas irão acontecer: o tio reencontra o ex-namorado e ex-aluno; o avô morre de overdose e o irmão descobre ser daltônico, o que o impedirá de ser piloto. Mas mesmo assim, todos continuam unidos para levar Olive ao concurso.

Apesar da história do filme ser simples, a narrativa é muito interessante e engenhosa. Nos diálogos entre os membros da família algo é contado sobre os outros membros, isto preenche as lacunas da narrativa, pois ao retomá-las ficamos sabendo o porquê o tio tentara se matar, qual o motivo de Dwayne não falar, etc. Já o tom caminha para o humor, mas não qualquer humor e sim um humor inteligente criado a partir de um desconcerto, de um mundo "transloucado". A toda hora caminha-se do humor para o drama e vice-versa, sem quebras de efeito. Neste filme, as palavras de Aristóteles sobre a comédia se aplicam: “Ela deve mostrar e corrigir os vícios humanos”.

Ao final da jornada, a família, antes desfragmentada, agora unida e feliz chega ao local do concurso. Olive participar do concurso, vemos uma das cenas mais engraçadas da história do cinema: a coreografia de Olive que o seu avô a ensinara. Tem-se uma crítica aos concursos de Miss e a precoce transformação de pequenas meninas em Barbies. Pequena Miss Sunshine não ganhou o Oscar, ainda bem, só o dão para filmes medíocres, mas conseguiu duas coisas raras nos EUA: bilheteria e crítica, possíveis graças a sua simplicidade e qualidade.


Trailer


Cine Campus: Back In The U.R.S.S. com o filme "Adeus, Lenin!"

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mr. doc. Mostra Regional de Documentários

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Programação da Mostra no Campus

Horários
Segunda-Feira:3/11
Terça-feira: 4/11
Quarta-feira: 5/11
Quinta-feira: 6/11


Tarde
Sala 208
Exibição Debate com o PET- Ciências Sociais: Bad copy, good copy: Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke, 59 min. 16h00
Tenda Doc
Muito Além do Cidadão Kane: Simon Hartog, 90 min. 14h00
SALA 212
Curso:
Dziga Vertov e a Câmera Olho, por Breno Rodrigues. 16h00
Sala 207
Apresentação e debate com os participantes da Oficina de Vídeo – Documentário da UNESP.
16h00
Sala 212
Curso:
Dziga Vertov e a Câmera Olho, por Breno Rodrigues
16h00


Noite
Tenda
A Quarta Guerra Mundial: Jacqueline Soohen e Richard Rowley, 78 min.
20h00
Doc no Gramado.
Nós que aqui estamos, por vós esperamos: MarceloMasagão,73 Min.
20h00
Sala 90
Exibição Debate com o PET- Ciências Sociais: “Supérfluo, de Eric Gandini, 50 min
19h30
Tenda Doc
Tiros em Columbine, Michael Moore, 120 min.
20h00


Horários
Segunda-Feira: 10/11
Terça-feira: 11/11
Quarta-feira: 12/11
Quinta-feira: 13/11
Sexta-feira: 14/11
13:00
Tenda Doc
Sociedade Motorizada
Dir: Vários
40 min.

Tenda Doc
Sonho Real: Uma história de luta por moradia. Dir: Vários
50 min.

Tenda Doc
Homo Sapiens 1900 – dir: Peter Cohen, 88 min.
17h30


noite
Palestra
Recursos Digitais na Pós-Produção de Documentários Institucionais e TV Digital. Renato Terezan
Anf. B.
19h00

Tenda Doc
Ônibus174
Padilha
133 min.
17h30

Tenda Doc
A Tornallom
Dir: Videohackers
48 min.
17h30



Sobre os filmes:

Bad copy, good copy: Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke, 59 min.

O documentário de Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke é o mais consistente sobre direitos autorais e cultura livre feito até hoje. Com entrevistas que vão desde o DJ Girl Talk, até o produtor nigeriano Charles Igwe e passando pelo presidente da International Federation of the Phonografic Industry, John Kennedy, os diretores conseguiram captar a tensão existente no debate atual entre detentores de conteúdo da indústria tradicional e artistas da nova indústria. O nome "good copy, bad copy" não poderia ser melhor para ilustrar este contraponto alertando sobre o papel que o direito autoral pode desempenhar tanto para aprisionar estas novas formas de expressão cultural, quanto para libertar a cultura permitindo uma revolução criativa mais profunda.

Entrevistados:
Jane Peterer - Bridgeport Music
Danger Mouse - Produtor
Dan Glickman - Presidente da MPAA
Anakata - The Pirate Bay
Rick Falkvinge - The Pirate Party (Partido Pirata)
Lawrence Lessig - Creative Commons
Ronaldo Lemos - Professor de Direito FGV Brazil
Charles Igwe - Produtor cinematográfico - Lagos Nigeria
Dj Dinho - Aparelharem Tupinambá - Belém Do Pará


A Quarta Guerra Mundial: Jacqueline Soohen e Richard Rowley, 78 min.

Na «4a Guerra Mundial» falam homens e mulheres que se negam a submeter-se ao terror. Falam os que não permitem que exércitos, o medo ou o desespero ocupem os eus sonhos de um mundo justo e sem opressão. É um filme que descreve os movimentos sociais contra o neoliberalismo em várias partes do mundo com imagens carregadas de inspiração e palavras cheias de poesia. Mostra-nos um sistema que necessita sempre mais violência e uma chamada «guerra contra o terrorismo» para manter a sua ordem e governabilidade.


Muito Além do Cidadão Kane: Simon Hartog, 90 min.

Documentário de Simon Hartog foi produzido em 1993 pelo Channel 4 e que acabou sendo vetado no Brasil, O documentário discute o poder da Rede Globo. Resumo: era o ano de 1965, durante a ditadura militar. Foi firmado um acordo ilegal mas muito vantajoso com o grupo Time-Life que representou a encarnação do desejo militar de integração nacional. O misterioso e oportuno incêndio nos estúdios da TV Paulista da Globo, cujo seguro foi fundamental para a expansão da rede de TV. O cancelamento da concessão da TV Excelsior em 1970, única empresa de TV a se opôr ao golpe militar e principal concorrente da Globo. Já na década de 90, o surgimento do escândalo NEC/Brasil. A cobertura tendenciosa da TV Globo sobre o movimento das Diretas-Já. O auxílio dado à tentativa de fraude nas eleições cariocas de 1982 para impedir a vitória de Leonel Brizola e a edição tendenciosa do debate Collor/Lula em 1989.


Nós que aqui estamos, por vós esperamos: Marcelo Masagão, 73 MIN.

Memória do século XX, a partir de recortes biográficos reais e ficcionais de pequenos e grandes personagens. O filme pretende discutir a banalização da morte e por correspondência direta, da vida.

Título Original: Nós Que Aqui Estamos por Vós Esperamos
Gênero: Documentário
Duração: 73 min.
Lançamento (Brasil): 1999
Distribuição: Riofilme
Direção: Marcelo Masagão
Roteiro: Marcelo Masagão
Produção: Marcelo Masagão
Música: Wim Mertens
Edição: Marcelo Masagão
Efeitos sonoros: André Abujanra
Consultores de História: José Eduardo Valadares e Nicolau Sevcenko


Supérfluo, de Eric Gandini, 50 min.

Documentário fenomenal destrinchando a indústria de consumo e o "capetalismo" devorador. Vemos depoimentos de John Zerzan (leia uma entrevista dele, dada ao Centro de Mídia Independente AQUI), um feroz crítico do capitalismo e da sociedade vigente, que viveu durante anos com o dinheiro de venda de esperma e sangue. Passeamos pela indústria do supérfluo, como a fábrica de bonecas de silicone, para homens tarados. O tom do filme é ácido, criticando (com bons argumentos) todos os envolvidos com a destruição do meio-ambiente, massa trabalhadora e as riquezas do mundo, sem nenhum dó nem piedade. Ao final pousa na ilha de Fidel, e quando você acha que se colocará o socialismo como alternativa para as mazelas do planeta...as críticas continuam.


Tiros em Columbine, Michael Moore, 120 min.

Documentário que investiga a fascinação dos americanos pelas armas de fogo. Michael Moore, diretor e narrador do filme, questiona a origem dessa cultura bélica e busca respostas visitando pequenas cidades dos Estados Unidos, onde a maior parte dos moradores guarda uma arma em casa. Entre essas cidades está Littleton, no Colorado, onde fica o colégio Columbine. Lá os adolescentes Dylan Klebold e Eric Harris pegaram as armas dos pais e mataram 14 estudantes e um professor no refeitório. Michael Moore também faz uma visita ao ator Charlton Heston, presidente da Associação Americana do Rifle.

Ficha Técnica
Título Original: Bowling for Columbine
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 120 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2002
Direção: Michael Moore
Roteiro: Michael Moore


Sonho Real: Uma história de luta por moradia. Dir: Vários, 50 min.

A luta das famílias da ocupação Sonho Real está apenas começando. Vivemos um momento histórico em Goiás e no Brasil, onde as as lutas sociais vem sendo cada vez mais criminalizadas e reprimidas pelas forças estatais e pelas elites locais e nacionais. É necessário que os movimentos sociais se unam e se organizem para essa luta que definirá os rumos do povo oprimido deste país: a libertação através da luta ou a eterna submissão às elites. No mês de maio de 2005, pouco mais de 20 famílias pobres da cidade de Goiânia resolveram ocupar uma área abandonada há mais de 40 anos, no Parque Oeste Industrial. Aquela grande área localizada entre indústrias e comércios, era usada durante todo esse tempo como espaço para desova de corpos e estupros. Poucos lembravam de sua existência, a não ser os especuladores imobiliários que esperavam pela valorização da área para poderem assim realizar um polpudo negócio. Eles não contavam que algumas famílias cansadas de continuar pagando aluguel resolvessem depositar ali suas esperanças e ocupar o terreno abandonado.


Ônibus174, Padilha, 133 min.

Uma investigação cuidadosa, baseada em imagens de arquivo, entrevistas e documentos oficiais, sobre o seqüestro de um ônibus em plena zona sul do Rio de Janeiro. O incidente, que aconteceu em 12 de junho de 2000, foi filmado e transmitido ao vivo por quatro horas, paralisando o país. No filme a história do seqüestro é contada paralelamente à história de vida do seqüestrador, intercalando imagens da ocorrência policial feitas pela televisão. É revelado como um típico menino de rua carioca transforma-se em bandido e as duas narrativas dialogam, formando um discurso que transcende a ambas e mostrando ao espectador porque o Brasil é um país é tão violento.

Ficha Técnica
Título Original: Ônibus 174
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 133 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 2002
Estúdio:
Distribuição: Riofilme
Direção: José Padilha
Produção: José Padilha e Marcos Prado
Fotografia: César Moraes e Marcelo Guru
Edição: Felipe Lacerda


Homo Sapiens 1900 – dir: Peter Cohen, 88 min.

O filme “Homo Capiens 1900” é ao mesmo tempo chocante e esclarecedor. Uma obra prima do já consagrado diretor sueco Peter Cohen, por seu “Arquitetura da Destruição”, o longa aborda o polêmico tema da eugenia desde sua concepção até a expressão máxima durante o regime nazista alemão. Com uma descrição e explicação fantástica do assunto, o espectador envolve-se no tema e perplexo fica ao ver até que ponto pode chegar o homem que objetiva a perfeição do ser, a criação de uma verdadeira máquina irretocável, a partir de um misto de estupidez e insanidade.


A Tornallom, Dir: Videohackers, 48 min.

Dirigido por videohackers e Enric Peris, é uma produção independente História da resistência de uma comunidade rural nos arredores de Valência, na Espanha, contra a especulação imobiliária, que quer expulsá-los da terra cultivada por seus antepassados. Em solidariedade aos moradores da região, vários jovens da cidade mudam-se para a comunidade e aprendem com os mais velhos como arar a terra, fazer pão em fornos artesanais e a trabalhar em mutirão. Surgem assim os “agropunks”, que levam para a comunidade de La Punta as formas de luta da desobediência civil e ação direta contra a violência da polícia e das retroescavadeiras.

Costa Gavras e a Política na Narrativa Cinematográfica

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Há quarenta anos houve o auge da “Era dos extremos”: em um extremo tem-se o avanço e a conquista por liberdades coletiva e individual a partir de Maio de 68, enquanto que, em outro extremo, na América Latina e em alguns países europeus, houve a perda de liberdade política através de sucessivos golpes militares. Um período de extrema ebulição política que acabou por influenciar artistas e as artes de uma forma geral. Uma das expressões artísticas mais influenciadas e uma das que mais tratou da questão política foi a Sétima Arte, tendo como seu maior expoente o cineasta grego Costa Gavras, que com filmes como “Z” (1969); “A Confissão” (1970) e “Estado de Sítio” (1973) formatou e configurou o que se denominou de “Cinema Político”.

Costa Gavras afirma que “todos os filmes são políticos” no seu sentido latto sensu, na medida em que define-se política como sendo a combinação das relações humanas dentro de uma estrutura social. Quanto mais as relações se ampliam e se multiplicam, mais complexas elas se tornam, levando a burocratização e a conseqüente criação de instituições. Deste modo, a política se dá nos quadros do poder institucional. Os filmes “políticos” tratariam da relação política e dialética entre o indivíduo e uma instituição.

Pode-se notar restícios deste “cinema político” em outras estéticas e em outros cineastas anteriores à Costa Gavras, como a Escola Formativa Russa e o Neo-Realismo Italiano. Na Escola Formativa Russa, cineasta como Eisenstein e Pudóvkin realizaram filmes mais “panfletários” do que políticos, no sentido stricto sensu do termo, na medida em que tinham estreita relação com o regime soviético. Eles tinham uma preocupação estética que abordava o plano, não só do conteúdo, mas também da forma. Esta preocupação formal se dava a partir da necessidade de colocar e desenvolver os aspectos formais da linguagem cinematográfica, já que, ainda neste período, o cinema tentava se firmar como uma expressão artística autônoma. Logo, na Escola Formativa Russa houve uma preocupação tanto no que tange ao conteúdo quanto à forma.

No Neo-Realismo Italiano, por seu turno, a preocupação era, em sua grande parte, voltada para o conteúdo das obras cinematográficas. Era o conteúdo que mais importava, tanto que a preocupação formal era legada para um segundo plano. Cineastas como De Sicca e Rosseline, para citar os mais famosos, retratavam os dramas dos indivíduos inseridos numa situação extremamente conturbada, pautada num sistema de contradições econômicas e sociais: um trabalhador que, para trabalhar, necessita de uma bicicleta, roubam-na e, num ato de desespero, tenta roubar uma outra, como é o caso do filme “Ladrões de Bicicletas” (1949) de De Sicca, no qual a situação dramática é o mais importante, ou seja, o conteúdo.

No caso de Gavras, há a configuração do cinema político no âmbito da forma e do conteúdo. Ele pega a forma e a estrutura narrativa do Thriller (Policial) e adapta ao cinema político. Há o suspense, a emoção. O estilo de Gavras é frio, dissecante, claro. Ele é maniqueísta. Sabemos o que é bom e o que é mau. Não pode haver dúvidas sobre os elementos do conteúdo e da matéria dramática, já que a finalidade do cinema político é justamente levar ao debate político. Portanto, não pode haver dúvidas, todos os elementos são nítidos e bem explicados.

Muito tem-se questionado sobre o fato de Costa Gavras ser ou não ser panfletário nos seus filmes, se ele segue alguma linha ideológica (seja ela marxista ou não) de forma explicita. Em Costa Gavras, a política é tratada como matéria dramática e não como discurso panfletário. Nos seus filmes são tratadas a dimensão política e histórica na qual o indivíduo está inserido. Ela é tratada como fenômeno e não como partidarismo, ou seja, vista sob o viés dos efeitos que as idéias políticas provocam.

Costa Gavras utiliza uma mesma estrutura para organizar o conteúdo dos seus filmes: há uma relação dialética entre o indivíduo e uma instituição, seja ela representada pelo Estado ou por grupos políticos. Em “Z” (1969) tem-se a história de um deputado grego de esquerda que foi assassinado por um grupo de direita. Em “A Confissão” (1970) tem se a história de um membro do governo de um partido comunista do leste europeu que é detido pelo regime e ele não sabe do que é culpado, uma história meio que kafkaniana. Já em “Estado de Sítio” (1973), tem se a história da perseguição de um agente estadunidense, que ensina prática de torturas para militares, por parte de guerrilheiros de esquerda. Nos três filmes há a relação dialética.

Nos filmes de Costa Gavras, o homem está na “Era Dos Extremos”, num contexto histórico definido como podemos notar nos filmes como “Z”, “A Confissão”, “ Estado de Sítio ”. Gavras configura as características do cinema político, elevando à condição de gênero, seguido, posteriormente, por cineastas como Ken Loach, Lars Von Trier, Guiliano Montovalo e pelos Sorelli Taviani, no qual o homem é visto enquanto ser social e histórico, ao mesmo tempo com todas as suas contradições angústias. Gavras não é panfletário, há apenas valores humanos universais. O homem encontra-se no centro.