Abbey Road: o último e o penúltimo disco dos Beatles

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Muito se escreveu, e tem-se escrito, sobre os Beatles. A banda inglesa revolucionou a Música Serial Pop, elevando-a a um patamar artístico dentro da musica pop mundial. A sua discografia representa todo um percurso de ascensão criativa, desde o primeiro álbum de estúdio Please, Please Me (U.K., 1962), passando por álbuns como Help (U.K., 1964); Revolver (U.K., 1966); Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (U.K., 1967); White Album (U.K., 1968) e, o seu último álbum de estúdio, Abbey Road (U.K., 1969), que a consolidou como a principal banda de rock da segunda metade do século XX. 

O Álbum Branco havia sido lançado em 30 de novembro de 1968, podendo ser considerado como parte do grupo de obras em termos artísticos mais elevadas já criadas ao lado da “Capela Sistina”, da “Nona Sinfonia”, de “Os Irmãos Karamazov”, de ‘O Sétimo Selo”, da “Balada do Mar Salgado”. Nele, os Beatles conseguiram atingir o seu ápice criativo. No início de 1969, John, Paul, George e Ringo se reuniram para gravar um novo e audacioso projeto, que se mostrou conturbado e caótico, sem falar de traumático. Queriam um álbum mais sintético e puro, sem o avant-gard de Sgt. Pepper ou de White Album, executaram Let It Be, que posteriormente resultou em um filme e em um álbum homônimo lançado em 1970. Após abandonar este projeto, o Fab Four entra novamente no estúdio Abbey Road, em Londres, para gravar o seu último álbum de estúdio, intitulado Abbey Road

Abbey Road é o disco mais popular e o mais vendido de todos os outros treze da discografia oficial dos Beatles. São, ao todo, dezessete músicas, se bem que na contra capa aparecem apenas o nome de dezesseis; Paul havia “escondido” uma faixa surpresa “Her Majesty” no Lado B. A álbum possui uma estrutura interessante, dual, mas sintética. O Lado A, com as suas seis faixas, estaria relacionado com a proposta das músicas do White Album-, músicas mais “rockeiras”. O Lado B, com a exceção de “Here Comes The Sun”, pode ser considerado a primeira tentativa de se compor uma “Ópera Rock”. Todas as nove canções se encaixam em uma estrutura coesa, começando com a sombria “Because”, indo até o término com a frenética e depois calma “The End”, terminando como se fosse uma voyage, no sentido baudelairiano do termo; mas depois da pausa, tem-se o presente para ela. Alguns anos depois os Sexs Pistols fariam uma canção afirmando o contrário. 

Se utilizássemos a teoria do crítico estadunidense Harold Bloom sobre a “Angústia da influência”, diríamos que os Beatles se encontram no centro do cânone da música pop serial. Basta vermos o impacto que as composições e os álbuns causam nos procedentes. “Come Together” é a faixa que abre o álbum, com um dos riffs e um dos refrões mais populares de todos os tempos: “Come together / right now / over me”. O vocal de John é “arrastado”, a sua prosódia está em um meio termo entre o falado e o cantado-, modelo este que seria a base do Rap. 

A segunda composição “Something” é a segunda música mais regravada do Beatles, perdendo apenas para “Yesterday”. Contrariando Frank Sinatra, que dizia ser “Something” a sua composição predileta da dupla Lennon-McCartney. A autoria é de George Harrison, que a compôs em homenagem a sua esposa Pattie Boyd, que ainda ganharia “Layla” de Eric Clapton. Além da letra e da melodia, tem-se o espetacular baixo de Paul, o que resultou em uma das mais famosas lendas sobre os Beatles: a de que Paul queria “sacanear” o George, criando uma composição para baixo fenomenal.

A faixa seguinte é uma típica composição Lennon-McCartney “Maxwell’s Silver Hammer”, um rock experimental com as marteladas de Mal Evans-, o que contrasta com faixa seguinte “Oh! Darling”: uma típica composição, chorosa, de Paul, com uma levada que caminha entre o vocal de Blues e de Soul. Em seguida, há a “faixa Ringo” de cada álbum: “Octopus Garden”-, uma boa composição do baterista. O Lado A termina com a pesada “I Want You (She’s so Heavy)”; uma verdadeira precursora do Hard Rock e do Heavy Metal. Uma típica canção Lennon, que se assemelhando às outras como “Yer Blues”; “Happiness Is A Harm Gun”; “Tomorow Never Knows”. A melodia é lenta, com destaque para os solos de guitarra de George e para a bateria de Ringo, que dão um tom pesado (heavy) para a música. A faixa é uma composição pesada e sombria. 

Here Comes The Sun” abre o Lado B, sendo outra famosa composição de George Harrison, que se mostra um excelente compositor. Em seguida, têm-se quase dezessete minutos ininterruptos de música, todas as outras nove composições se encaixam como se fossem uma única faixa. Começa-se com “Because”, com um vocal de John, passando por “You Never Give Me Your Money”, cantada apor Paul; por “Sun King”, com trechos em vários idiomas; “Mean Mr. Mustard” e “Polytheme Pam”, tendo um crescendo com “She Came In Trhough The Bathroom Window”-, chegando à calma “Golden Slumber” (inspirada em uma música de acalanto), que se segue por “Carry That Weight” e termina com “The End”, neste ponto tem-se o melhor solo de bateria jamais tocado por Ringo. 

O fim da opereta é anunciado, o álbum é lançado-, os quatro atravessam as faixas da rua Abbey Road. Há a teoria da conspiração: “Paul is Dead”, seus olhos estão fechados-, está descalço. Deixando de lado a teoria de lado, o A e o B são ambos diferentes; mas com uma grande qualidade a sua maneira; o que originou um álbum sintético, com características de todos os álbuns anteriores concebidos pelo Fab Four. O disco começa com “Come Together”; “The End” não é niilista como a de Morrison. Ouçam o disco em estéreo ou mono (se possível em um conjunto Marantz), acabou o Lado A-, a agulha subiu após “I Want You (She’s so Heavy)”, levante-se e vire-o: “Here Comes The Sun”.

Occupy Love: Um Documentário Sobre Ocupações

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O distanciamento para a análise do processo histórico é fundamental para a maior compreensão dos fatos, movimentos e contradições sociais. As manifestações sociais, que eclodiram nos últimos três anos no Oriente Médio, Egito, Turquia, na Espanha; e o Occupy Wall Street, além das que ocorreram no Brasil em junho de 2013, foram uma reação contra as contradições da sociedade capitalista e o vazio da vida pós-moderna. O documentário Occupy Love (EUA, 2012), do diretor canadense Velcrow Ripper (1963-), mostra as motivações de grandes movimentos sociais e suas manifestações em diversos países, tentando compreender o que as estimulou, destacando que pequenas revoltas geraram grandes manifestações e diversas ocupações, tentando achar “histórias de amor”. 

O documentário mostra as revoltas no Oriente Médio que ficaram conhecidas como “Primavera árabe”, em 2010, focando nas que ocorreram no Egito com a tentativa de depor o ditador Hosni Mubarak. A gênese das manifestações na região ocorreu quando o tunisiano, Mohamed Bouazizi, ateou fogo ao próprio corpo como forma de manifestação contra as suas condições sociais. A faísca foi centelha de revolta que se espalhou e chegou à Praça Tahrir na capital do Egito, Cairo. A praça foi ocupada pela população como uma forma de manifestação contra o regime autoritário. Logo, a praça virou um símbolo da luta e resistência. Em pouco tempo, as manifestações se espalharam para outros países como Líbia, Sudão, Iêmen, Argélia, Jordânia. 

Em seguida, as manifestações chegaram à Europa, principalmente em países que mais sofreram devido à crise do sistema capitalista, tais como Grécia e Espanha. As manifestações na Europa ficaram conhecidas como “Verão europeu”, ganhando destaque nas duas principais cidades espanholas: a capital Madrid e Barcelona. O movimento espanhol foi denominado de “15 de maio” e ocupou a principal praça de Madrid conhecida como “Porta do Sol” e, assim como a Praça Tarir, foi o centro das manifestações, protestos e das principais discussões acerca da situação social dos espanhóis. O documentário mostra manifestantes e as suas táticas, como as do Teatro do oprimido, as assembleias populares e a ocupação da praça. As imagens da ocupação se mesclam com depoimentos dos manifestantes. 

No outono, as manifestações chegaram aos Estados Unidos e ganhou força com o movimento Occupy Wall Street, com a ocupação do Zuccotti Park no distrito financeiro de Manhattan, na cidade de Nova York. Os manifestantes ocuparam a praça como uma forma de protestar contra as contradições econômicas do sistema capitalista e os imperativos da ideologia neoliberal de controle das políticas do estado, que beneficia apenas as grandes corporações, por isso o famoso slogan “We are the 99%” ("Nós somos os 99%") que alude ao fato de apenas 1% da população controlar 40% das riquezas, destacando, assim, a grande desigualdade social. O documentário mostra os dias de ocupação que se inciaram no outono e a sua duração durante o rigoroso inverno, tentando compreender as motivações, não só sociais, mas também afetivas que fizeram com que indivíduos ocupassem uma praça e criassem uma zona autônoma temporária (TAZ). 

Além das imagens e depoimentos de manifestantes que participaram dos principais movimentos e ocupações ao redor do mundo, Occupy Love destaca ainda outras manifestações periféricas sobre mudança climática, como as que ocorreram no Canadá contra a exploração e a degradação das areias betuminosas, no qual a devastação de um enorme área causa um imenso impacto ambiental. Há a imagem de manifestante, principalmente indígenas, lutando contra a devastação. O discurso contra a destruição da natureza e as mudanças climáticas ganha ainda destaque com imagens sobre uma convenção de ambientalistas ocorrida na cidade de La Paz, Bolívia. 

O documentário Occupy Love foi lançado no final de 2012 e, portanto, não trata das manifestações que ocorreram no Brasil em junho de 2013. No entanto, ele mostra como elas ocorreram em outros países, o que se pode aproximar com o contexto brasileiro. O cenário de insatisfação, apatia, subitamente foi substituído por grandes manifestações sociais, expondo as revoltas contra as contradições sociais. Assim como na Tunísia, as manifestações no Brasil ocorreram por uma pequena fagulha de revolta, com o aumento dos R$0,20 na tarifa de ônibus na cidade de São Paulo até transformarem em grandes manifestações em todo território nacional. 

Em Occupy Love, Velcrow Ripper tenta mostrar as motivações de grandes movimentos no Cairo, Tunísia, Nova Iorque, Canadá, tentando achar histórias de amor em meio às manifestações. Mas, a resposta vem com a tatuagem de um manifestante canadense indígena: “O amor é o movimento”. No caso a motivação e o combustível dos manifestantes. Pois, como diz o criador da somaterapia Roberto Freire: “sem tesão e amor não há solução, tesudos de todo o mundo uni-vos”. Para Ripper, pequenas revoltas geram grandes manifestações, destacando termos como ação direta, assembleias populares, horizontalismo, compartilhamento e colaborativo. Nota-se que as ocupações vem depois das manifestações, sendo uma forma de manifestação que cria uma TAZ (Zona Autônoma Temporária), com novos modelos de organização e que afronta, mesmo que simbolicamente e temporariamente, os modelos de relações da sociedade capitalista.

Trailer


Legenda do filme Occupy Love: http://www.4shared.com/file/aZVKy2GDce/Occupy_love.html


Sessão Zoom exibe "Um Evento Feliz"

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Occupy Love

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Trailer do documentário:


Legenda do filme Occupy Love: http://www.4shared.com/file/aZVKy2GDce/Occupy_love.html


Sessão Zoom: Exibição do filme Elena

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‘Memórias da EFA’: sob memórias e sobre a linha do trem

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Na década de 1920, o cineasta soviético Dziga Vertov (1896-1954) lançou o documentário “Um Homem com uma Câmera” (Tchelovek s kinoapparatom, 1929, U.R.S.S), no qual a câmera é uma forma de olhar (ou mesmo o próprio olho) para a sociedade com as suas constantes e rápidas evoluções. Em umas da sequências mais marcantes há a câmera-olho filmando a passagem de um trem, simbolizando a rapidez dos tempos modernos e a própria modernidade. Por seu turno, o documentário “Memórias da EFA” (2013), dirigido pelo araraquarense Marcelo Machado (1958-), trabalha com a temática da memória relacionada à Estrada de Ferro de Araraquara (EFA) e o seu impacto sobre prédios e pessoas.

Memórias da EFA” é um documentário que se propõe a trabalhar com o tema do espólio, das heranças e das memórias das estradas de ferro no interior do estado de São Paulo, em específico, a linha que pertencia à companhia ferroviária Estrada de Ferro de Araraquara. Para construir uma narrativa, que auxilie na construção do tema, o documentário mostra uma família percorrendo de carro o trecho da estrada de ferro de Araraquara até a cidade de Santa Fé do Sul, nas barrancas do rio Paraná. Assim, Eleonora Ducerisier (34 anos, mãe e grávida) e seus dois filhos: a carismática Nix Montenegro (10 anos) e Pã Montenegro (15 anos), além de Dan Baldassari (24 anos) compõem e fazem a intermediação entre narrativa e documentário; presente e passado, ou seja, entre a memória e a constatação.

Durante o percurso, encontram estações, prédios, linhas, pessoas. A linha não é homogênea, em alguns pontos, as estações cumprem novas funções, em outros são apenas ruínas. Em cada parada, há uma tentativa de interação e resgate da memória por parte de Eleonora e de sua família, buscando compreender o passado, seja com as ruínas do presente e/ou o perene da memória das pessoas encontradas pelo caminho. Em Matão, a estação está abandonada; em outras cidades, ela virou antiquário, secretária de cultura, órgãos burocráticos do governo municipal, bar, ou mesmo, moradia de pessoas. 

A ideia do documentário ‘Memórias da EFA’, segundo o próprio diretor, surgiu após a conclusão do seu documentário ‘Apito do trem’ (2009), que tem como eixo temático a pretensa retirada dos trilhos do trem da região central de Araraquara. As obras de retirada fariam parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), um programa lançado pelo então presidente Lula, em 2008. As obras em Araraquara cumpririam uma função histórica e reorganizariam a dinâmica urbana da cidade, separada urbanisticamente entre dois grandes bolsões representados pela região da Vila Xavier e pela região central, deixando, assim, uma área gigantesca no centro da cidade. O espaço deixado pela retirada dos trilhos pode ser, o mais provável, ainda refém da especulação imobiliária, ou de um novo projeto urbanístico para a cidade, que atenderia as demandas da população. 

A estrutura do documentário ‘Memórias da EFA’ é simples, linear e de fácil assimilação. O grande destaque é a viagem de Eleonora e de sua família, juntamente com as paisagens, as ruínas, os lugares e as pessoas. O aspecto pedagógico do tema relacionando à importância histórica e à atual das estradas de ferro, que poderia ser mais explorado, acaba ficando em segundo plano. O filme é feito com duas unidades de câmera, distintas na operação e no estilo entre si: uma é pretensamente narrativa, a outra é poética, buscando planos, ângulos e jogos de luzes mais expressivos, operada por Guilherme Bonini. Outro aspecto interessante é a sonoplastia que contextualiza e dá ritmo ao roteiro e à montagem. 

O tema da memória está presente ao longo de todo o documentário. Há a memória histórica e a memória afetiva. A primeira está presente na memória física expressa pela estrada de ferro com os seus trilhos, com as construções, ora em ruínas e/ou abandonadas e nos poucos resquícios que sobraram da reutilização das estações, seja em azulejos ou pisos, ou ainda no logo da EFA em alguma estação. Já a segunda, é a memória narrada e revivida por pessoas que fizeram parte indiretamente ou diretamente da EFA: um antigo trabalhador, um passageiro assíduo, que expõem as suas saudosas lembranças de labor, de amor, etc. Em ambos os casos, como escreve a poeta mineira Adélia Prado, “aquilo o que a memória amou fica eterno”, nas memórias. 

Uma das primeiras exibições públicas de um filme ocorreu em 1895, em Paris, com a exibição de “Chegada de um Trem à Estação da Ciotat” (L'Arrivée d'un train en gare de la Ciotat) dos Irmãos Lumière, no qual há a chegada de um trem à estação. Em “Memórias da EFA”, ao fim da viagem, depois de histórias e memórias contadas por escombros, por construções, pela estrada de ferro e por pessoas; tudo o que Nix quer é banhar-se no rio, estaria ela buscando a terceira margem, ou simplesmente banhando-se. No documentário há a memória física e afetiva, há novas funções para trilhos, que transportam cargas e não mais pessoas; estações reaproveitadas ou mesmo abandonadas. Complementando Adélia Prado, o que a Arte representou fica, sim, eterno.

A ‘Pietá’ de Kim Ki-Duk

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O cinema sul-coreano vive, atualmente, o seu ápice de prestígio e de qualidade com dois cineastas muito distintos no seu estilo e na sua proposta cinematográfica, são eles: Chan-Wook Park (1963-) e Kim Ki-Duk (1960-). O primeiro é famoso no ocidente pela sua “Trilogia da vingança”, composta pelos filmes “Mr. Vingança” (2002), “Oldboy” (2003) e “Lady Vingança” (2005). O segundo diretor é o mais premiado em festivais internacionais, sendo o seu último “Pietá” (2012) o grande vencedor do Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza e um de seus filmes que mais repercutiu juntou ao público e à crítica, ao lado de filmes como “Primavera, Verão, Outono, Inverno... e Primavera” (2003), “Casa Vazia” (2004), “O Arco” (2005) e “Sem Fôlego” (2007). 

“Pietá” é o 18º filme de Kim Ki-Duk. Ele narra a história de Kang-do (Lee Jung-Jin) que trabalha como cobrador de agiotas e usa métodos nada convencionais de cobrança. Quando alguns indivíduos não possuem o dinheiro para pagar a dívida, Kang-do os mutila com os próprios instrumentos de trabalhos, tais como pequenas máquinas industriais ou jogando-os do alto de edifícios para que, assim, fiquem aleijados e recebam o dinheiro do seguro, com o qual poderão quitar a dívida. A rotina de cobrança de Kang-do é quebrada quando, repentinamente, uma mulher passa a segui-lo, revelando-se ser a sua mãe, que o havia abandonado há 30 anos. 

Kang-do é um ser autômato, faz o seu trabalho de forma direta e sem levar em consideração os seus atos de cobrança, que provocam a dor e o sofrimento de outros indivíduos e, principalmente, de outras mães. A proposta de Kim Ki-Duk é mostrar as relações sociais e humanas sendo afetadas pelo capitalismo extremo, no qual a miséria e a situação degradante dos indivíduos os levam a se submeter ao dinheiro de forma cega e a outras situações de forma autômata. O dinheiro, quando questionado o que seria, a resposta é: “Amor, honra, violência, fúria, ódio, inveja, vingança e morte”. 

O filme é, antes de tudo, uma narrativa sobre as relações entre mãe e filho, caracterizada pelo abandono e retorno, como é o caso Kang-do e sua mãe; de incesto, proteção e carinho. O personagem Kang-do passa a ter consciência de seus atos a partir do momento que a sua mãe passa a se relacionar com ele e ser a sua mediadora com a sociedade, fazendo-o ver que as suas ações são negativas. Mas, o seu medo é que usem a sua mãe como forma de vingança, visto que ele é um ser que muito mal já causou a outros indivíduos, o que o leva a revisar e abandonar a profissão de “cobrador”. 

Um aspecto interessante do filme de Kim Ki-Duk é o título (que remete) e o cartaz de divulgação (que reproduz) a obra “Pietá” (1499) do escultor italiano Michelangelo (1475-1564). A escultura se encontra na Basílica de São Pedro, no Vaticano, em Roma, e é uma das mais expressivas obras do Renascimento italiano, possuindo as figuras de Maria e Jesus, estando a mãe segurando o seu filho já morto e ensaguentado no colo, que de acordo com o mito bíblico, havia sido crucificado. No cartaz do filme “Pietá”, tem-se a mesma pose da escultura de Michelangelo, só que Kang-do está no colo de sua mãe.

Por seu turno, ao aludir à escultura de Michelangelo, Kim Ki-Duk inverte a relação entre mãe e filho expressa nas narrativas bíblicas, onde o filho se sacrifica, de modo que, no filme, o sacrifício é da mãe, que se suicida para poder dar uma nova consciência para o seu filho, e, com isso, dá-lhe uma nova vida. Mesmo trabalhando temas da tradição cristã, o diretor sul-coreano coloca elementos que são recorrentes na sua filmografia, representados pela filosofia budista, através de conceitos de perversidade, purgação, sacrifício e ressurreição, que são estágios naturais para a elevação da alma humana, como também expresso no filme “Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera” (2003).

No filme “Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera”, de Kim Ki-Duk, as estações do ano são uma metáfora para os estágios, não só da vida, mas também de desenvolvimento humano: nascimento, crescimento e declínio. Dois monges budistas, um mais velho que exerce a função de mestre; e outro mais novo, jovem aprendiz, convivem em uma casa no meio de um lago entre as montanhas. O filme é dividido em cinco partes de acordo com as estações do ano, como destacado pelo título: há a primavera, o nascimento; o verão, o despertar; o outono, o declínio; o inverno, a queda; e o renascimento com a primavera, novamente. Na obra fica evidente o eterno retorno da situação humana, mas em um plano metafísico, de constituição da essência humana nos seus estágios de desenvolvimento. 

Ao final, em “Pietá”, de Kim Ki-Duk, o diálogo com temas da tradição cristã são amalgamados com temas da filosofia budista, recorrentes em toda a sua filmografia. O diretor insere os dramas de mães e filhos em uma sociedade opressora representada por um sistema capitalista que condiciona as relações humanas e, consequentemente, interfere na relação mais arquetipal de todas: a de mãe e filho. Mas, no filme, a consciência parte do sacrifico da mãe, que ao dar a sua vida, possibilita o renascimento do filho, dando-lhe a luz pela segunda vez.

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Alan Moore no Cinema

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A divisão clássica das Artes estabelece uma numeração para designar as expressões artísticas, destacando as artes espaciais e as artes temporais, ou seja, as que se configuram no espaço e as que se desenvolvem e trabalham o tempo. Assim, a Pintura (1ª Arte), a Escultura (2ª Arte), Arquitetura (3ª Arte), Dança (4ª Arte), Música (5ª Arte) e a Literatura (6ª Arte). No século XX, outras expressões artísticas foram conceituadas como Arte, como o Cinema (7ª Arte), a Fotografia (8ª Arte) e as História em Quadrinhos (9ª Arte). A Nona Arte, também chamadas de Arte sequêncial, teve o seu ápice mercadológico na década de 1980, com artistas como Frank Miller (1957-), Neil Gaiman (1960-) e Alan Moore (1953-), elevando a qualidade das histórias em quadrinhos. 

Frank Miller é um artista completo, roteiriza e desenha as suas obras, possuindo uma forte influência do Cinema. Já Neil Gaiman caminha entre a Literatura e a Nona Arte, trazendo recursos da primeira para a segunda. Por seu turno, o autor mais interessante do três é Alan Moore, roteirista completo que não apenas utiliza recursos do Cinema e da Literatura nas suas narrativa, mas as materializam na linguagem do quadrinhos, dando-lhe especificidade. Em termos narrativos, as obras de Moore como “Watchmen” (1987), “V de Vingança” (1988), “Do Inferno” (1991), “A Liga Extraordinária” (1999) são de grande qualidade e foram adaptadas para o Cinema. Moore ainda foi tema central do documentário “The mindscape of Alan Moore” (Inglaterra, 2003). 

A primeira adaptação de uma obra de Alan Moore para o Cinema foi “Do Inferno” (From Hell, EUA, 2001), dirigida pelos irmãos Hughes (Albert Hughes e Allen Hughes) e possui o ator Johnny Depp como o inspetor de polícia Frederick Abberlineque, que começa a investigar assassinatos que estão ocorrendo contra prostitutas na Londres vitoriana de 1888. A narrativa do filme trabalha a trama do famoso serial killer Jack, o estripador, que seria o responsável pelas mortes e estaria ligado à família real inglesa. A trama possui um tom noir, com um enredo que remete aos contos de Edgar Allan Poe (1809-1849) e Arthur Conan Doyle (1859-1930), com casos e acontecimentos intrigantes, possuindo uma rede complexa de relações e fatos de difícil solução. 

A segunda obra de Alan Moore a ser adaptada para o Cinema não merece nem mais do que algumas poucas linhas de análise, dada a sua péssima qualidade. O filme “A liga extraordinária” (The League of Extraordinary Gentlemen, EUA) foi lançado em 2003, possuindo problemas no roteiro, técnicos, dentre outros. 

No entanto, a sua terceira obra adaptada é a de maior qualidade e impacto cultural. O filme “V de Vingança” (V for Vendetta, EUA, 2006) é a adaptação das obras de Moore que, em termos cinematográficos, possui melhor qualidade. A narrativa pode ser enquadrada nas narrativas distópicas, já que a ação se passa em uma Londres futurista onde a opressão, a repressão e o controle do Estado são enormes. O personagem V usa uma máscara, que foi utilizada por manifestantes do mundo todo com uma forma de criar um símbolo de luta e de resistência, possuindo, assim, a obra um impacto na cultura popular, sendo uma marca de revolta contra a violência e o vandalismo do Estado, seja na Londres da obra, ou ainda na real Istambul, Santiago do Chile, Nova Iorque, Madrid, São Paulo, Araraquara, etc. 

O filme “Watchmen” (EUA, 2009) é uma adaptação feita para o Cinema pelo diretor Zack Snyder (1966-), o mesmo de outras adaptações de histórias em quadrinhos como “300” (EUA, 2006) e “O homem de aço” (Man of Steel, EUA, 2013). O grande feito da narrativa é inserir os super-heróis em um contexto sociológico de existência de indivíduos com super poderes nas relações sociais, sejam elas familiares, amorosas, sócio-políticas. O contexto da narrativa é a Guerra Fria (1945-1991), mais especificamente o ano de 1985, no qual o conflito entre Estados Unidos e União Soviética está a beira de uma guerra nuclear e, misteriosamente, outros vigilantes (super-heróis) começam a ser assassinados. 

Não apenas as obras de Alan Moore foram adaptadas para Cinema, mas o próprio autor foi tema do documentário “The mindscape of Alan Moore” (Inglaterra, 2005), dirigido por DeZ Vylenz. O documentário centra-se na biografia e na obra de Moore, com fatos, narrados pelo próprio quadrinista: da infância, adolescência e início da carreira, bem como da sua ida para o mercado estadunidense de quadrinhos através da DC Comics na década de 1980, com comentários diretos sobre as suas principais obras. No entanto, o que se destaca são as divagações de Moore acerca de temas como: teoria da conspiração, filosofia ocidental, ocultismo, indústria do entretenimento.

Dentro da tríade dos grandes artistas da Nona Arte da década de 1980, Frank Miller, Neil Gaiman e Alan Moore, o último é aquele que elevou o status da histórias em quadrinhos à condição de Arte dentro da indústria do entretenimento. Assim como fez artistas anteriores como Milo Manara (1945-), Hugo Pratt (1927-1995), Moebius (1938-2012), Will Eisner, (1917-2005), Robert Crumb (1943-), Enki Bilal (1951-), etc. Porém, quando o Cinema, mesmo sendo linguagens distintas, adaptou as obras de Alan Moore, não conseguiu manter a qualidade que as obras bases possuem.

Mídia Alternativa e Audiovisual

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O número 62 da revista RUA (Revista Universitária do Audiovisual) traz uma edição dedicada à discussão das Mídias Alternativas dentro do Audiovisual e o seu impacto social nas últimas manifestações ocorridas no Brasil no último mês de junho. A revista está ligada ao curso de Imagem e Som da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e é uma das mais importantes do gênero no interior do Estado de São Paulo. Para se entender as movimentações, os movimentos e a organização das últimas e constantes manifestações sociais, é indispensável entender como se dá e qual a importância da Mídia Independente e Colaborativa, opondo-a à mídia tradicional, bem como quais são as suas principais características e conceitos. 

A mídia tradicional, até há pouco tempo, possuía o poder hegemônico dos canais de comunicação (televisão, jornais, rádios, etc) e, com isso, detinham o poder de controlar as informações. No entanto, o papel social da mídia tradicional sempre foi limitado e restrito, seja pela sua relação com os poderes institucionais, ou com conglomerados políticos, financeiros, etc., o que a coloca como arauto de ideologias específicas, sendo impositiva de certa postura social. No Brasil, os meios de comunicação, predominantemente, pertencem à políticos, famílias, e conglomerados, de modo que, em muitos casos, as informações veiculadas atendem a uma política editorial ideologicamente orientada e informativamente submissa, direta ou indiretamente, aos poderes políticos municipais, estaduais ou nacionais. 

Em contra partida à mídia tradicional, as Mídias Alternativas sempre se colocaram e produziram material de forma independente, autônoma e colaborativa, com uma proposta de democratização dos meios de comunicação. Mídias Alternativas sempre existiram, seja através de rádios comunitárias (“ou mesmo piratas”), fanzines, jornais livres e de classe. Porém, com o advento da internet e, principalmente, de plataformas digitais, e de redes sociais, a Mídia Alternativa ganhou força e, hoje, consegue rivalizar e, até mesmo, superar a mídia tradicional, quebrando o monopólio da informação. 

A Mídia Independente atual é colaborativa, ou seja, ela não é hierárquica, institucional e vertical; mas, sim, livre, autônoma e horizontal. Ela se constitui como uma rede, no qual o canal pode ser o youtube ou o Postv, onde com o aplicativo Twitcasting pode-se transmitir online via celular ou tablet qualquer informação em tempo real. Podemos caracterizá-la como polifônica, similar ao que ocorre na Música ou na Literatura de Dostoievski, possuindo diversas vozes, diversos agentes criadores da informação. Um exemplo de criação colaborativa ocorreu nas manifestações do último dia 22 de julho na cidade do Rio de Janeiro, onde as informações geradas pelos diversos NINJA’s, ou pelos manifestantes de forma direta, contradisseram as informações que foram vinculadas pela mídia tradicional, aliada ao governo do Estado. Assim, a informação propagada ideologicamente pela mídia tradicional foi questionada pelas diversas visões e dezenas de imagens e vídeos compartilhados pelos manifestantes em tempo real e sem cortes via facebook e twitter. 

A mídia NINJA (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação) é um coletivo de indivíduos que pregam a ação jornalística contra o monopólio da informação da mídia tradicional, sendo um grupo livre, autônomo, independente e colaborativo, ou seja, qualquer indivíduo pode colaborar com a socialização da informação, utilizando recursos simples como celulares e tablets, compartilhando as informações criadas. A Mídia Independente e Colaborativa tem um papel social enorme, não só por democratizar a produção, os canais e a própria informação, mas, também, por cumprir um papel de transformação social, já que auxilia diretamente os movimentos sociais que lutam contra as contradições do sistema capitalista e contra a opressão, violência e vandalismo do Estado. 

Os vídeos produzidos de forma colaborativa utilizam aplicativos e são colocados em plataformas de vídeos sendo compartilhados via facebbok e twitter, possuindo uma sintaxe com certas características recorrentes, tais como: o caráter direto, as imagens são geradas de dentro do espaço da ação e do núcleo de criação da informação, sendo transmitidas ao vivo, sem cortes e sem censura. Elas são produzidas por diversos olhares, o que multiplica os pontos de vista sobre os objetos. As imagens não possuem qualidade, não havendo enquadramentos recorrentes e padronizados, pois, a movimentação e o aspecto dinâmico criam, também, uma imagem livre e dinâmica. 

O que se tem, na atualidade, é uma crise da mídia tradicional e o advento da Mídia Alternativa e Colaborativa. A informação, agora, cumpre uma função social de denúncia contra os sistemas de contradições sociais e o vandalismo do Estado, como também de organização e de mobilização da população. O cineasta francês Jean-Luc Godard, na década de 1960, exaltava as possibilidades revolucionárias do Vídeo, que criou uma revolução dentro do Audiovisual, mudando o eixo de influência Cinema-outros meios para Vídeo-Cinema e para a sociedade. Agora, têm-se as Mídias Alternativas com uma nova sintaxe e uma nova organização do discurso jornalístico pautado no audiovisual, centrado na imagem, influenciando não só o campo do audiovisual e jornalístico, mas, também, o sociológico, pois novas formas de relações e organizações são possíveis. Portanto, a revolução pode não ser televisionada, mas será, sim, compartilhada.

Comemorações de 13 de julho

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Toda linguagem artística possui uma forma e um conteúdo, sendo o conteúdo expressão da forma. No caso da Música, tratada como uma linguagem, ou um sistema semiótico, há o som e o sentido. Quando no dia 13 de julho comemoramos o Dia Internacional do Rock, estamos saudando o gênero musical mais expressivo da Música Serial Pop surgida na segunda metade do século passado. Enquanto gênero, ele possui uma multiplicidade de formas e de conteúdos, que se subdividem em outros subgêneros: o Progressivo, Punk, Ska, Indie, Tecnopop, Pop, New Wave, Folk Rock, Britpop, Black Metal, Heavy Metal, Grunge, em um constante eterno retorno de formas simples para formas complexas e vice-versa. 

O estudo da Música a partir de um viés semiótico está presente no campo de estudos chamado “semiótica da canção”, no Brasil, desenvolvido por Luiz Tatit e José Miguel Wisnik. Segundo Wisnik, a história da música pode ser compreendida a partir de três estágios e/ou grupos: a música modal, a música tonal e a música serial. A primeira é baseada em modos e não em torno de uma nota principal. A segunda surge quando o sistema tonal é adotado, baseando-se em estruturas funcionais determinadas, gerando um "percurso" harmônico e melódico com tensões e repousos mais complexos. A terceira é a música serial surgida com a dodecafonia e a reincorporação do ruído à música e, no caso da música pop, da sua eletrificação, amplificação e da escala pentatônica. 

No início, o Rock era Rock'n'roll, uma síntese de duas linhas evolutivas da música popular estadunidense: a Rhythm and Blues com Country and Western, pode-se dizer que ele possuía 80% do primeiro e 20% do segundo (em relação a seu primo próximo, o Rockabilly, essa proporção é de 50% por 50%). Tinha, no máximo, doze compassos, com três ou quatro notas da escala pentatônica a partir de uma forma simples que não passava de três minutos. O conteúdo era simples e retratava o cotidiano da vida adolescente urbana, com temas relacionados ao amor, às relações familiares, e ao cotidiano escolar, sendo apenas um produto para ser consumido pelo público adolescente. O surgimento do Rock enquanto gênero possui três responsáveis: Bob Dylan, The Beatles e The Velvet Underground. 

O parricídio ocorre em 1965, quando o Rock nasce enquanto gênero e se desgarrar das formas simples e limitantes do Rock'n'roll. No dia 24 de julho, Bob Dylan liberta o gênero de suas amarras formais, a forma é expandida; o Bardo lança a música Like a Rolling Stones. A canção não estaria mais presa a uma forma fixa, pequena e limitada, seus limites formais foram ampliados para além dos três minutos padrões. Like a Rolling Stone inicia um processo cíclico de desenvolvimento formal da música pop serial, com o desenvolvimento da forma musical, foi-se do Progressivo, com músicas que ocupam dois lados inteiros do disco como, por exemplo, Thick as a Brick (1972) da banda inglesa Jethro Tull; para a volta de formas simples com o Punk, através de músicas como Blitzkrieg bop e I wanna be sedated (1975), dos Ramones. 

No dia 06 de agosto de 1965, os Beatles lançam o disco Help, o conteúdo se torna mais complexo e amplo. As músicas não possuíam mais temática unicamente adolescente (Teen), ela agora dialoga com outros gêneros, como a música Modal Hindu, a Erudita, etc. Com o disco Help, os Beatles iniciam uma segunda fase em sua carreira e modifica a música pop serial. Com a música Yesterday, a configuração básica e recorrente de banda de rock'n'roll é modificada: a canção, composta por Paul McCartney, é executada, não por uma guitarra, um baixo e uma bateria; mas, sim, por um quarteto de cordas composto por dois violinos, uma viola e um violoncelo, sendo esta uma formação padrão típica da Música de Câmara Tonal Erudita. 

A banda estadunidense The Velvet Underground é, ao lado dos Beatles e de Bob Dylan, uma das principais responsáveis pela consolidação do Rock enquanto gênero com um conteúdo pretensamente elevado e artístico. A banda foi formada em 1965 por Lou Reed (vocal e guitarra), John Cale (guitarra e piano), Sterling Morrison (contrabaixo e guitarra) e Maureen Tucker (bateria), e logo foi "apadrinhada" pelo Artista-vanguardista Andy Warhol, que incorporou aos vocais da banda, em 1966, a atriz alemã Nico (Christa Päffgen), que havia participado do filme “A Doce Vida” ( La Dolce Vita, Itália, 1960) do cineasta italiano Federico Fellini. 

Se temos, hoje, o que comemorar no dia 13 de julho, saudemos os que primeiros trouxeram as boas novas: Bob Dylan, The Beatles e The Velvet Underground. Quem tiver ouvidos, ouçam. Mas, no compasso máximo, na forma cíclica; na ontogênese e na partenogênese do desenvolvimento da Música Serial Pop em um eterno retorno das formas simples para as complexas. As proles são muitas: há bastardos, filhos pródigos; harmonias complexas, simples; escalas pentatônicas, diatônicas; simultaneidades: modal, tonal, serial.